Universidades e politécnicos captam mais de 500 milhões para a investigação

Nos últimos anos aumentou a capacidade das instituições do ensino superior portuguesas para captarem investimento comunitário, através de parcerias nacionais e internacionais

A aposta em consórcios nacionais e internacionais está a permitir às instituições do ensino superior portuguesas chegarem a fundos destinados à investigação, sobretudo do programa Horizonte 2020, que eram praticamente inatingíveis há meia dúzia de anos. Só ao nível das universidades públicas, disse ao DN António Cunha, reitor da Universidade do Minho e presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP), o investimento garantido para este ano deverá rondar os 500 milhões de euros.

"Esse valor não me parece exagerado", assegurou ao DN. "Não tenho uma contabilidade exata, mas seguramente que o total estará entre os 400 e os 500 milhões de euros", disse. "São projetos de ambas as partes, financiados por uma entidade externa. E todos os projetos europeus em que as universida-des portuguesas estão envolvidas atualmente passam pela ligação a outras universidades estrangeiras", acrescentou.

No caso da Universidade do Minho, explicou, está assegurado "um valor de mais de 40 milhões de euros" para este ano, distribuído por "mais de 50 projetos" atualmente ativos. "Por exemplo, as três bolsas do European Research Council, atribuídas a Rui Reis, Alexandra Marques e Ana Rita Duarte. Só estas três bolsas envolvem oito milhões de euros para quatro anos", ilustrou. Entre as áreas mais financiadas estão as ligadas à saúde, nomeadamente a Engenharia de tecidos Humanos.

Em universidades de maior dimensão, as verbas podem chegar ao dobro. É o caso, segundo o presidente do CRUP, da Universidade de Lisboa, que irá "receber 80 milhões ou mais". Um valor não confirmado junto desta instituição porque não foi possível contactar o vice-reitor com este pelouro.

Também na Universidade do Porto, ao que o DN apurou, o bolo de investimento comunitário captado andará próximo dos 80 milhões de euros, ainda que essa verba inclua não só os diferentes programas de investigação abrangidos pelo Horizonte 2020, como também verbas do programa--quadro Portugal 2020, destinadas a investimentos em infraestruturas de ensino e projetos de desenvolvimento regional, nos quais participam universidades e centros de investigação.

Ao nível do programa-quadro, há um forte incentivo para as instituições se aliarem, sobretudo a nível regional, com as parcerias a serem uma condição quase obrigatória para captar os fundos. E foi nesse sentido que surgiu, há três anos, o consórcio Unorte, que agrega as principais universidades do Norte do país e que anunciou, há dias, investimentos garantidos da ordem dos dez milhões de euros.

"Realidade diferente"

Ao nível dos institutos, os valores são bastante mais modestos. Ainda assim, quando somados aos das universidades, já permitem afirmar sem grande margem de dúvidas que as verbas captadas por Portugal destinadas à investigação superam mesmo os 500 milhões de euros anuais.

"O valor está a crescer de uma forma significativa", confirmou ao DN Nuno Mangas, presidente do Politécnico de Leiria e do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP). "A realidade que vivíamos há cinco anos é completamente diferente da que vivemos hoje. Com a grande aposta das instituições politécnicas na captação de fundos europeus, posso dizer que, seguramente, já captamos várias dezenas de milhões de euros. Não sei se chegará à centena de milhões, porque não conheço os números concretos de cada instituição. No caso da minha, o Politécnico de Leiria, sei que estamos a falar de verbas em torno de 12 milhões no novo quadro."

No que respeita às parcerias internacionais, além da investigação as instituições recorrem também à oferta de cursos conjuntos, de dupla titulação, com universidades estrangeiras, sobretudo europeias, que permitem captar mais verbas de propinas. Mas esta é uma área em que, reconheceu António Cunha, os valores em causa ainda são pouco significativos, "dificilmente representando para as instituições mais de um milhão de euros anuais". Isto, ressalvou, "se não considerarmos os MBA [de Gestão] da Nova ou da Católica, cursos que podem ter a participação de professores estrangeiros mas não encaixam neste perfil de cursos conjuntos".

Também fora dessa contabilidade ficam parcerias que as instituições portuguesas têm vindo a estabelecer com instituições parceiras de outros países, da Ásia à América Latina, para acolherem alunos desses países ou mesmo para ajudarem a criar cursos no exterior. Um exemplo, entre vários outros, são os acordos da Universidade de Lisboa e do ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa com instituições chinesas.

Além das verbas vindas de fundos europeus e de outras instituições, a captação de investimento privado estrangeiro - nomeadamente de alunos dispostos a pagarem propinas - é outra aposta forte. Recentemente, foi lançado o website: www.universitiesportugal.com, associado a um projeto conjunto para atrair alunos estrangeiros, financiado pelo programa COMPETE 2020.

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