Um século e dois dias depois da abertura do Aquário Vasco da Gama

Com cem anos de diferença, a região de Lisboa viu nascer dois aquários que marcam a vida da cidade, com lições do passado para o futuro

Estes são dias de aniversários carregados de simbolismo. O Oceanário comemora na terça-feira, 22 de maio, 20 anos de existência na zona mais oriental da cidade. Nasceu ali um século e dois dias depois de na ponta oposta, na Cruz Quebrada, já fora de Lisboa, ter sido inaugurado, a 20 de maio de 1898, o Aquário Vasco da Gama, hoje um dos mais antigos do mundo, que completa 120 anos no próximo domingo.

Para celebrar a data redonda, o Aquário Vasco da Gama, que alberga mais de 300 espécies nos seus aquários e o espólio que o rei e oceanógrafo D. Carlos recolheu durante as suas campanhas oceanográficas em 1896 e 1897, com exemplares únicos e raros, tem entrada gratuita hoje e também durante o fim de semana.

No Oceanário também se festeja na terça-feira, a pensar no futuro. Feita esta caminhada de duas décadas, "os objetivos para os próximos 20 anos passam pela formação, para criar uma "geração azul" em Portugal, que conheça e compreenda os oceanos e as ameaças que enfrenta e que no futuro possa contribuir para uma nova gestão para a sua preservação", explica João Falcato, da administração do Oceanário.

A ideia é manter a visão inovadora que marcou o Oceanário desde o primeiro momento, e não apenas nesta área formativa, mas também na conservação para a preservação dos oceanos.

"Fizemos várias coisas novas ao longo dos anos", garante João Falcato, lembrando o episódio da reintrodução de uma manta no mar, em 2007. "Foi a primeira vez que isso se fez, o que motivou um documentário da National Geographic." A tal manta teve um rol de estreias: foi a primeira num aquário europeu e foi a pioneira no regresso ao seu habitat natural, depois de cinco anos como uma das principais atrações no aquário central do Oceanário. "Deu-se tão bem que atingiu os quatro metros e chegou aos 800 quilos, e embora fosse uma das principais atrações, para o bem-estar do animal, tivemos de tomar aquela decisão", conclui João Falcato.

Ler mais

Exclusivos

Premium

João Gobern

Há pessoas estranhas. E depois há David Lynch

Ganha-se balanço para o livro - Espaço para Sonhar, coassinado por David Lynch e Kristine McKenna, ed. Elsinore - em nome das melhores recordações, como Blue Velvet (Veludo Azul) ou Mulholland Drive, como essa singular série de TV, com princípio e sempre sem fim, que é Twin Peaks. Ou até em função de "objetos" estranhos e ainda à procura de descodificação definitiva, como Eraserhead ou Inland Empire, manifestos da peculiaridade do cineasta e criador biografado. Um dos primeiros elogios que ganha corpo é de que este longo percurso, dividido entre o relato clássico construído sobretudo a partir de entrevistas a terceiros próximos e envolvidos, por um lado, e as memórias do próprio David Lynch, por outro, nunca se torna pesado, fastidioso ou redundante - algo que merece ser sublinhado se pensarmos que se trata de um volume de 700 páginas, que acompanha o "visado" desde a infância até aos dias de hoje.