Traje domingueiro para chegar à medalha de ouro

(Com vídeo) Marvila. Vitória é objetivo assumido pelo bairro onde há quem se estreie aos 13 anos... após cinco de experiência.

Desde os oito anos que Soraia Cardoso "fazia o lugar de marchante" em Marvila, mas será apenas este mês que, aos 13, vai desfilar pela primeira vez no Meo Arena e na Avenida da Liberdade. "Gosto muito da experiência", garante a adolescente que já viu mãe, tios e primos a representar o bairro em que vive desde que nasceu e que luta para sempre para chegar ao topo do pódio. No ano passado, ficou classificado na 4.ª posição.

"É impossível falar-se de Marvila sem se falar do primeiro lugar", afirma o ensaiador Nuno Lopes, durante uma curta pausa no ensaio que decorre no quartel dos Sapadores em Chelas, sob o olhar atento de alguns apoiantes. A noite é de convívio... tal como, nos tempos em que Marvila era uma zona rural, os domingos eram o dia de descanso e encontro. A época vai ser recriada este ano.

Na altura, explica o coreógrafo, não havia quem não envergasse o "traje domingueiro" característico da sua região de origem, existindo dois que causavam particular furor: o de mulher toureira e o de ferrador de cavalos. "É assim que eles se vão apresentar", confirma Nuno Lopes, antes de chamar os marchantes para que o ensaio continue.

As vozes ecoam no pavilhão em que o cavalinho - o conjunto de músicos que acompanha a marcha de cada bairro - toca ao vivo. O ensaiador vai dando indicações aqui e ali, sem que nunca os marchantes do conjunto organizado pela Sociedade Musical 3 d"Agosto de 1885 deixem de sorrir. Ali, por entre as crianças que não param de correr e os idosos sentados em cadeiras ou colchões, respira-se confiança.