"Todos os dias milhões de portugueses e espanhóis estão em relação"

Mariano Rajoy recebeu Marcelo Rebelo de Sousa na Moncloa. Ambos celebraram a excelência atual das relações ibéricas - mas o PR português foi mais enfático.

"Esta é uma relação única na Europa e mesmo no mundo", disse esta terça-feira o Presidente da República, falando das relações entre Portugal e Espanha, tanto políticas e diplomáticas, como económicas e culturais.

Após uma audiência com o presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy, no Palácio da Moncloa, os dois fizeram declarações à imprensa (sem direito a perguntas) onde Marcelo Rebelo de Sousa aproveitou para, mais uma vez, salientar a necessidade de unidade ibérica em vários planos.

Para o chefe do Estado português - que desta vez falou em português - a relação ibérica é "única na Europa e mesmo no mundo" porque "se projeta no mundo iberoamericano e no mundo lusófono", sendo "neste sentido uma relação de futuro".

A "amizade e fraternidade" entre os dois países - disse - funciona "a todos os níveis", incluindo "chefes de Estado mas também de governo", os quais "dão expressão a uma amizade e fraternidade entre povos". "Todos os dias milhões de portugueses e espanhóis estão em relação, a nível local e regional mas também nacional" e "todas as cimeiras são importantes mas são mais importante as cimeiras que todos os dias portugueses e espanhóis fazem", reforçou ainda.

Porque "esta é uma visita de futuro, não de passado" e "o passado conhecemos, o futuro construímos", Marcelo elogiou os esforços que o primeiro-ministro português para fazer chegar a França a energia produzida no espaço ibérico, envolvendo nesse esforço o presidente francês Macron (está em preparação uma cimeira entre os três países por causa da questão energética). Pelo meio tratou Costa por "D. António Costa", assim como tratou o chefe do governo espanhol por "D. Mariano Rajoy".

Insistiu também na ideia de os dois países trabalharem "em conjunto" nas negociações do próximo quadro plurianual de apoios comunitários, referindo especificamente as políticas de coesão e a Política Agrícola Comum. E, em geral, no esforço que ambos terão de fazer, mais uma vez "em conjunto", para que se construa "uma Europa mais rica mas mais justa" e "mais forte em termos institucionais", com um papel no mundo de entidade "portadora de paz e de soluções políticas" para os "conflitos mais graves".

"Não há Europa forte se não houver esta força conjunta de Portugal e Espanha" e, a título de exemplo, referiu o facto de um português (Mário Centeno) ocupar a presidência do Eurogrupo e de um espanhol (Luís de Guindos) uma vice-presidência do Banco Central Europeu para dizer que estes são "dois lugares chaves que mostram a importância de Portugal e de Espanha para a construção europeia"

o mais importante é o afeto entre os dois povos

Já o presidente do governo espanhol salientou que as "magníficas relações" entre os dois países "vão além da pura relação geográfica". Usando uma palavra importante no léxico de Marcelo, acrescentaria que "o mais importante é o afeto entre os dois povos". "Há muitas coincidências de passado [por exemplo, a crise económica recente que atingiu tanto Espanha como Portugal] mas sobretudo de futuro. Agora vamos melhorando a vida da pessoas", disse ainda, referindo-se aos resultados económicos da sua governação e da de António Costa.

As questões do Brexit ("saída de forma ordenada"), do próximo quadro plurianual da UE, do reforço da UEM e da União Bancária também passariam pela intervenção de Rajoy, sempre no contexto de unidade de esforços entre Portugal e Espanha.

Ler mais

Exclusivos

Premium

João Gobern

País com poetas

Há muito para elogiar nos que, sem perspectivas de lucro imediato, de retorno garantido, de negócio fácil, sabem aproveitar - e reciclar - o património acumulado noutras eras. Ora, numa fase em que a Poesia se reergue, muitas vezes por vias "alternativas", de esquecimentos e atropelos, merece inteiro destaque a iniciativa da editora Valentim de Carvalho, que decidiu regressar, em edições "revistas e aumentadas", ao seu magnífico espólio de gravações de poetas. Originalmente, na colecção publicada entre 1959 e 1975, o desafio era grande - cabia aos autores a responsabilidade de dizerem as suas próprias criações, acabando por personalizá-las ainda mais, injectando sangue próprio às palavras que já antes tinham posto ao nosso dispor.