"Temos tempo para consensos. Não é uma corrida em contrarrelógio"

Marcelo Rebelo de Sousa esteve no Estoril Open, esta terça-feira, entre audições aos partidos

As audições aos partidos estão "a correr bem", segundo o Presidente da República, que abordou o assunto durante a visita desta terça-feira ao Estoril Open, para ver o jogo de Gastão Elias com Paul Henri-Mathieu.

Marcelo Rebelo de Sousa explicou porque marcou as audições para a véspera do debate de quarta-feira: "Por uma razão muito simples. Eu tinha ouvido o CDS depois do Congresso, o PSD depois do Congresso, e não tinha recebido ainda, em funções, os restantes partidos políticos com assento parlamentar. e como sabem vou a Itália e depois a Moçambique e acabava por passar quase dois meses sem receber todos os partidos."

E quando questionado se nota nos partidos a tal disponibilidade para consensos, que referiu no discurso de 25 de Abril, o Presidente da República considerou ainda que há "tempo" para isso. "Temos tempo. Os consensos não são para realizar imediatamente. Eu ontem (25 de Abril) vi que todos manifestaram disponibilidade para, caso a caso, ponderam os consensos e isso é bom, mas não é uma corrida contrarrelógio. Os consensos significam um estado de espírito, na saúde primeiro, no sistema político depois, depois veremos em que mais, por ventura no sistema financeiro, para aproximarem posições. E o País precisa disse e os portugueses querem isso", disse Marcelo.

Também o PEV garantiu esta manhã que será leal ao acordo que tem com o governo, uma vez que o que foi estabelecido está a ser cumprido pelos socialistas.

Já o PAN também colocou na mão do governo a questão de levar ou não a votos o Programa de Estabilidade. Ou seja: também não dará a mão à iniciativa do CDS.

Esta tarde o Presidente da República regressa ao Palácio de Belém para ouvir o Bloco de Esquerda e o PS sobre o Programa de Estabilidade.

Ler mais

Exclusivos

Premium

João Gobern

País com poetas

Há muito para elogiar nos que, sem perspectivas de lucro imediato, de retorno garantido, de negócio fácil, sabem aproveitar - e reciclar - o património acumulado noutras eras. Ora, numa fase em que a Poesia se reergue, muitas vezes por vias "alternativas", de esquecimentos e atropelos, merece inteiro destaque a iniciativa da editora Valentim de Carvalho, que decidiu regressar, em edições "revistas e aumentadas", ao seu magnífico espólio de gravações de poetas. Originalmente, na colecção publicada entre 1959 e 1975, o desafio era grande - cabia aos autores a responsabilidade de dizerem as suas próprias criações, acabando por personalizá-las ainda mais, injectando sangue próprio às palavras que já antes tinham posto ao nosso dispor.