"Tem de haver mais fiscalização por parte das autoridades veterinárias"

Bastonário da Ordem dos Médicos Veterinários, Jorge Cid, alerta para o facto de haver pessoas que não estão habilitadas a administrar antibióticos a animais mas que o fazem. Pede mais controlo médico-veterinário

O uso de antibióticos na produção animal constitui uma ameaça para a saúde humana. Como é que se reduz a sua utilização?

Cada vez mais há a necessidade de usar antibióticos com critério. É lógico que estamos alertados para esse problema. Hoje em dia, todos os médicos veterinários usam os antibióticos com mais critério. Existe uma preocupação muito maior com a sua utilização. As bactérias mais resistentes são um problema gravíssimo a nível mundial. Há imensas mortes por resistência a antibióticos, tanto a nível humano como animal. Agora, há antibióticos de primeira geração que não resolvem os problemas, pelo que somos obrigados a usar os de última. Isto tanto acontece nos humanos, como nos animais.

As regras são respeitadas?

A administração de qualquer terapêutica aos animais é efetuada por médicos veterinários. Deveria ser sempre assim, para garantir o bem-estar dos animais e das populações.

Mas nem sempre é o acontece...

Há sempre pessoas que não respeitam, por isso é que tem de haver mais fiscalização e ação por parte das autoridades veterinárias. Com os problemas orçamentais dos últimos anos, isso não tem acontecido. Os meios que existem são escassos e não se vislumbra que venham a aumentar brevemente. Mas nós estamos muito sensibilizados para este problema. O uso criterioso de antibióticos é, aliás, um dos temas que será debatido no nosso próximo congresso. Devia existir um controlo efetivo de quem tem acesso aos antibióticos. Só podem ser vendidos a veterinários, mas há casos em que vêm de Espanha, por exemplo. Por vezes, são usados sem critério por pessoas que não estão habilitadas. As coisas estão melhores, mas longe de estarem resolvidas.

Há casos em que os antibióticos são usados efetivamente para tratar animais doentes. Mas continuam a ser usados em animais saudáveis com outros fins?

As misturas pré-medicamentosas estão proibidas. Não podemos garantir que não são usadas, mas estão proibidas. Só os veterinários deveriam ter acesso aos antibióticos. Mas se é fácil comprá-los? É. É preciso investimento na segurança alimentar a nível médico veterinário, o que não tem sido feito.

O que fazer para travar a utilização ilegal de antibióticos na produção animal?

É preciso investir na fiscalização e na educação dos agentes, que não são médicos. Os veterinários têm muita formação, mas há muitas pessoas que lidam com as situações e que nem sempre estão alertadas para este assunto. Este é um problema gravíssimo e que podem ter consequências muito graves no futuro.

A utilização de antibióticos na aquacultura apresenta-se também como uma ameaça para a saúde pública. Em Portugal, também é um problema?

É um problema grave, porque tem existido um desinvestimento na área da fiscalização. É por isso que insistimos que é preciso controlo médico veterinário. É fundamental haver uma aposta forte nesta área.

Quais as consequências do uso excessivo de antibióticos na veterinária?

O uso excessivo faz com que haja resistência. As bactérias vão-se adaptando e resistindo a todos os antibióticos. São as multiresistentes. O que acontece é que depois não há armas para combater os problemas. Quando surge uma doença grave, há uma resistência brutal. Isto também acontece nos animais. Embora tenha mais mediatismo nos humanos, o problema é o mesmo. Os antibióticos também são os mesmos. Daí o conceito de uma só saúde. Esta é uma das problemáticas em que todos temos de trabalhar em conjunto.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Nuno Artur Silva

Notícias da frente da guerra

Passaram cem anos do fim da Primeira Guerra Mundial. Foi a data do Armistício assinado entre os Aliados e o Império Alemão e do cessar-fogo na Frente Ocidental. As hostilidades continuaram ainda em outras regiões. Duas décadas depois, começava a Segunda Guerra Mundial, "um conflito militar global (...) Marcado por um número significativo de ataques contra civis, incluindo o Holocausto e a única vez em que armas nucleares foram utilizadas em combate, foi o conflito mais letal da história da humanidade, resultando entre 50 e mais de 70 milhões de mortes" (Wikipédia).