Superior espera mais candidatos neste ano

Exames. Provas do secundário com mais alunos e ligeira queda a Matemática. Facto inédito, todas as disciplinas tiveram média positiva

Os responsáveis das universidades e institutos politécnicos públicos acreditam num aumento de candidatos ao ensino superior durante a primeira fase de acesso - que arranca já na próxima quarta-feira. Isto, tendo em conta que os resultados dos exames nacionais do secundário, ontem divulgados, dão conta de mais provas realizadas e - apesar da quebra na sempre importante Matemática - de um inédito pleno de médias positivas a todas as disciplinas.

De acordo com dados do Júri Nacional de Exames, a primeira fase dos exames do secundário contou com um total de 329 887 provas realizadas, cerca de 10 400 a mais em relação a 2015. E este é o fator decisivo para o otimismo moderado dos responsáveis das instituições.

"Para já, o que estes alunos estão a fazer é a completar o ensino secundário", ressalva Joaquim Mourato, presidente do Politécnico de Portalegre e do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP). "Mas pela informação que temos e pela experiência dos últimos anos é possível que tenhamos um ligeiro acréscimo dos candidatos, o que de resto já era expectável face ao número de inscritos", acrescenta.

A mesma leitura é feita por António Cunha, reitor da Universidade do Minho e presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP). "Aparentemente, numa análise simples, sim, a expectativa de é que existam mais candidatos ao ensino superior."

No entanto - porque os exames além de permitirem concluir o secundário servem de prova de ingresso nas instituições -, o fator das classificações também tem impacto nos candidatos. E aqui as contas são mais baralhadas.

Por um lado, é boa notícia o facto de nenhuma disciplina ter registado, entre os alunos internos, médias abaixo dos 9,5 valores - um facto raro, senão inédito, na história dos exames. Biologia e Geologia, com 10,1 valores de média entre os internos (face aos 8,9 de 2015) deixou de ser a exceção à regra das médias acima dos 9,5. O que permitiu também que a percentagem de reprovações à disciplina (feita a ponderação com as classificações atribuídas pelas escolas) baixasse dos 11% para os 8%.

Física e Química - outra tradicional dor de cabeça para os alunos - também reforçou os sinais de recuperação deixados no ano passado, evoluindo da média de 9,9 para os 11,1, baixando em quatro pontos percentuais as reprovações, que se ficaram nos 11%. A confirmar-se que mais alunos atingiram os patamares mínimos, isso será uma boa notícia para as instituições que tendem a ser segundas e terceiras escolhas dos alunos. Mas, como lembra Joaquim Mourato, "uma nota abaixo dos 9,5 valores impede a candidatura para qualquer lugar". O presidente do CCSISP considera, no entanto, que a nível das médias não são de esperar "alterações muito significativas" nos candidatos, mostrando-se mais preocupado com "as flutuações, não tanto por afetarem as candidaturas mas porque podem ser um fator de injustiça. Um aluno pode usar a mesma prova específica durante dois anos", recorda.

Já António Cunha admite alguma preocupação com a quebra registada na Matemática A, cujas médias baixaram oito décimas, para os 11,2 valores. "Temos uma expectativa positiva em relação às candidaturas, mas não será a mesma para todas as áreas", assume. "Na Engenharia vejo alguma possibilidade de haver menos candidatos devido ao resultado da Matemática". Ainda assim, acrescenta, porque Física e Química também serve habitualmente de prova de ingresso nesses cursos, "provavelmente haverá uma compensação de uma área sobre a outra".

Português foi outra disciplina em que o desempenho médio dos alunos baixou neste ano, ainda que ligeiramente, passando dos 11 valores de média para os 10,8. E Rita Paraíso, 18 anos, aluna da Secundária Pedro Nunes, em Lisboa, conta-se entre os alunos que acabaram surpreendidos.

"Fui a exame com média de 14 a Português mas na prova tive 12, uma nota que nunca tinha tido", contou ao DN a estudante que, apesar de estar com média de 15 valores - "que já permite concorrer aos cursos de Direito que me interessam" -, está "a pensar recorrer" da classificação. "A prova tinha-me corrido lindamente", explica.

Já a colega de turma e amiga Madalena teve a experiência oposta no exame: "A prova correu bem melhor do que estava à espera e tive um 16", conta.

Salvador, 18 anos, que ambiciona entrar num curso de Gestão, teve "um 14" na prova de Matemática A e garante não ter sentido as dificuldades que a quebra na média nacional à disciplina parecem apontar: "A prova era o que eu esperava, mas também me preparei bastante", contou ao DN. "E estou satisfeito com o resultado. Vim com média de 12 e fiquei com 13."

Menos satisfeita estava Catarina, 16 anos, aluna do 11.º ano, que não gostou dos 12 valores que teve a Geografia. Até porque é uma das provas de ingresso que conta usar para se candidatar, em 2017, ao curso de Turismo. "Acho que vou voltar a fazer a prova na segunda fase (dos exames, que decorre neste mês) para tentar melhorar."

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