Subida de preços de alimentos é "fenómeno internacional"

O ministro da Agricultura, António Serrano, defendeu hoje que "cada país, por si só, não controla" a escalada de preços e mostrou-se disponível para discutir o assunto na Assembleia da República.

A escalada dos preços dos produtos agroalimentares "é uma matéria que cada país, por si só, não controla, porque é um fenómeno internacional, mas que nos preocupa", disse António Serrano aos jornalistas durante uma visita a uma herdade do concelho de Beja.

"Naturalmente, temos que dar um contributo", para combater o fenómeno, "reforçando a nossa produção nacional" e "é isso que estamos a fazer", acrescentou o ministro, referindo que tem "muito gosto em ir" à Assembleia da República para "discutir a escalada de preços" dos produtos agroalimentares.

António Serrano reagia ao requerimento apresentado na sexta-feira pelo Bloco de Esquerda, para ouvir, na Assembleia da República e com carácter de urgência, os ministros da Agricultura, da Economia e da Defesa, sobre a "escalada dos preços dos produtos agroalimentares", depois de os preços internacionais dos produtos básicos terem atingido "valores máximos recorde" em Fevereiro.

"O que os empresários agrícolas estão a fazer é, exactamente, dar resposta à procura internacional de bens alimentares, aumentando a sua produção", disse o ministro, referindo que, "nos últimos dez anos, a produção agrícola nacional aumentou cerca de 4,5 por cento".

A formação dos preços, explicou, "depende" dos investimentos financeiros e da procura mundial de alimentos e resulta também de "impactos negativos de catástrofes naturais", como secas e cheias, que "destroem culturas e levam à redução dos 'stocks' de produtos alimentares".

Por tudo isto, defendeu, "todos os países" têm que prestar "uma grande preocupação" a esta matéria e "procurar produzir mais".

Ler mais

Exclusivos

Premium

João Gobern

País com poetas

Há muito para elogiar nos que, sem perspectivas de lucro imediato, de retorno garantido, de negócio fácil, sabem aproveitar - e reciclar - o património acumulado noutras eras. Ora, numa fase em que a Poesia se reergue, muitas vezes por vias "alternativas", de esquecimentos e atropelos, merece inteiro destaque a iniciativa da editora Valentim de Carvalho, que decidiu regressar, em edições "revistas e aumentadas", ao seu magnífico espólio de gravações de poetas. Originalmente, na colecção publicada entre 1959 e 1975, o desafio era grande - cabia aos autores a responsabilidade de dizerem as suas próprias criações, acabando por personalizá-las ainda mais, injectando sangue próprio às palavras que já antes tinham posto ao nosso dispor.