Sócrates: "Era criminoso" não encerrar escolas

O primeiro-ministro, José Sócrates, assegurou hoje que o Governo vai continuar com o encerramento de escolas para combater o insucesso escolar e considerou "criminoso" não ter avançado com o processo.

"Era criminoso para o nosso sistema público de ensino não ter feito nada para encerrar as escolas com menos de 20 alunos [e] é por isso que vamos continuar com esse esforço", declarou José Sócrates em Trancoso, onde hoje recebeu a medalha de honra do município e inaugurou uma nova escola básica integrada.

No seu discurso, José Sócrates, que esteve acompanhado pela ministra da Educação, Isabel Alçada, apontou que o Ministério da Educação já encerrou cerca de 2500 escolas. E acrescentou: "Agora encerramos as outras, em negociação com as autarquias".

Disse que o Governo não podia deixar "tudo como está", mas reconheceu que "há sempre críticas às reformas".

Contudo, frisou que "o pior que há na Educação é não fazer nada".

Segundo o primeiro-ministro, irão encerrar mais escolas com menos de 20 alunos porque, com esta medida, o Governo pretende "combater o insucesso escolar".

"Ao longo destes últimos anos o insucesso escolar nas escolas com menos de 20 alunos sempre foi muito superior ao insucesso escolar verificado nas outras escolas com mais alunos", apontou.

Tendo em conta este cenário, admitiu que manter escolas com 20 alunos significaria "condenar essas crianças à exclusão, ao abandono e ao insucesso escolar".

"Nós não queremos isso, só pensamos no interesse das crianças, é um interesse meramente pedagógico, quando pensamos em encerrar essas escolas", disse, em declarações aos jornalistas.

A Câmara de Trancoso entregou hoje a medalha de honra do concelho a José Sócrates pela decisão de ter avançado com a construção do Itinerário Principal 2 (IP2), com perfil de autoestrada entre Celorico da Beira e Trancoso.

O autarca Júlio Sarmento considerou que a decisão tomada pelo Governo de José Sócrates "representa o mais importante investimento público de sempre no concelho de Trancoso".

"Com esta homenagem também queremos desactualizar a teoria corrente da ingratidão política", disse o social democrata Júlio Sarmento.

José Sócrates mostrou-se "profundamente honrado" e disse que estava em Trancoso para agradecer a distinção concedida e o gesto da autarquia que "tem nobreza e elevação".

"Como a política em Portugal está a precisar de elevação e de nobreza", comentou o primeiro ministro.

Afirmou que o IP 2 é uma obra "justa e necessária" para a região e que o Governo avançou com a sua construção por razões económicas, de justiça e de solidariedade para com uma região do interior do país que não dispõe de boas acessibilidades rodoviárias.

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