Sócrates decidiu desfiliar-se antes de ouvir Costa

O que António Costa disse ontem sobre Sócrates foi indiferente à decisão deste de se desfiliar do PS. A decisão já tinha sido tomada.

A várias vozes, a direção do PS desenvolveu nos últimos três dias uma barragem ofensiva contra José Sócrates mas na verdade bastou ao ex-líder ouvir Carlos César, na quarta-feira, na TSF, para se desfiliar do partido, decisão que hoje tornou pública, num artigo no JN.

Dito de outra forma: as declarações que se seguiram à de César - presidente do partido e líder parlamentar do PS -, como as de António Costa, não contaram para a decisão de Sócrates. "Se essas ilegalidades [de Pinho e de Sócrates] se vierem a confirmar, serão certamente uma desonra para a nossa democracia. Mas se não se vierem a confirmar é a demonstração de que o nosso sistema de justiça funciona", respondeu ontem o primeiro-ministro, à margem de uma visita oficial ao Canadá

O facto de, por exemplo, João Galamba - que aliás chegou a deputado pela mão do ex-líder do PS, em 2009 - ter dito, ontem à noite, na SIC, que casos como o de Sócrates ou Manuel Pinho "envergonham qualquer socialista", também não contou para a decisão do ex-líder e ex-primeiro-ministro.

Também foram indiferentes a Sócrates as declarações, a seguir às de João Galamba, do número dois do Governo, Augusto Santos Silva: "São suspeitas sobre comportamentos que, a terem existido, significam crimes gravíssimos, mas eu não confundo suspeitas com acusações."

Ler mais

Premium

João Almeida Moreira

Bolsonaro, curiosidade ou fúria

Perante um fenómeno que nos pareça ultrajante podemos ter uma de duas atitudes: ficar furiosos ou curiosos. Como a fúria é o menos produtivo dos sentimentos, optemos por experimentar curiosidade pela ascensão de Jair Bolsonaro, o candidato de extrema-direita do PSL em quem um em cada três eleitores brasileiros vota, segundo sondagem de segunda-feira do banco BTG Pactual e do Instituto FSB, apesar do seu passado (e presente) machista, xenófobo e homofóbico.