Decisão do Governo "só pode ter acontecido por razões muito ponderosas"

Nuno Melo acrescentou que "está em causa o assassinato de um cidadão em território que é da União Europeia, de um país particularmente amigo de Portugal, membro da NATO, com recurso a armas proibidas por tratados"

O CDS-PP considerou, esta quarta-feira, que a decisão de Portugal não expulsar diplomatas russos "só pode ter acontecido por razões muito ponderosas" porque a "condenação tem de ser clara, inequívoca e sem reservas", esperando explicações do Governo no parlamento.

"O não acompanhamento por Portugal em solidariedade óbvia daquela que é a decisão de outros países amigos e aliados, expulsando diplomatas russos, só poderá suceder por razões muito fortes e muitos ponderosas", afirmou à agência Lusa o eurodeputado do CDS-PP, Nuno Melo.

Na opinião do vice-presidente centrista, "está em causa o assassinato de um cidadão em território que é da União Europeia, de um país particularmente amigo de Portugal, membro da NATO, com recurso a armas proibidas por tratados" e, portanto, Portugal "tem de ter firmeza absoluta em relação à condenação", que deve ser "clara, inequívoca e sem reservas".

"Antes de se exigirem decisões - que são necessariamente drásticas tendo em conta a natureza dos interesses em jogo - parece-me que é relevante e importante que se ouça o Governo, através do ministro que tutela a área e possivelmente até através do próprio primeiro-ministro, na Assembleia da República", exigiu.

Nuno Melo disse esperar, assim, que o Governo, no parlamento, explique esta decisão.

"Tenho presente que a política externa acontece primordialmente no plano bilateral e, desse ponto de vista, também no relacionamento no que tem que ver com a Rússia e de Portugal com este país, mas isso não invalida tudo o resto", considerou.

O dirigente centrista explicou que, primeiro, o partido, quer conhecer os fundamentos da decisão do Governo e, na base dessas explicações, decidir "aquilo que o CDS subsequentemente entenda".

Desde segunda-feira, mais de duas dezenas de países, incluindo mais de metade dos Estados membros da União Europeia, e a NATO anunciaram a expulsão de agentes dos serviços de informações russos colocados nas embaixadas da Rússia.

A ação concertada é uma resposta ao envenenamento do ex-espião russo Serguei Skripal e da filha, Yulia, com um gás neurotóxico, em 04 de março em Salisbury, no sul de Inglaterra.

O PS acusou hoje o PSD de forçar um "inexistente" nexo de causalidade entre a atual maioria de esquerda parlamentar e a posição do Governo português no caso "Skripal", não optando pela expulsão imediata de diplomatas russos.

Em conferência de imprensa, no parlamento, o vice-presidente da bancada socialista Pedro Delgado Alves apontou ainda que há desconhecimento dos sociais-democratas em relação às posições do BE e do PCP sobre este caso.

Momentos antes o PSD tinha acusado o Governo de ter uma posição "tímida e condicionada" pelo PCP e BE no caso "Skripal" e defendido a expulsão imediata de diplomatas russos, tal como fizeram a maioria dos países da União Europeia.

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