Sindicatos repudiam encerramento de agências da CGD

Medida afeta as dependências de Amato Lusitano, situada na cidade, e de São Vicente da Beira

A UGT de Castelo Branco repudiou esta terça-feira a intenção da administração da Caixa Geral de Depósitos (CGD) de encerrar duas agências no concelho, nomeadamente em Castelo Branco e em São Vicente da Beira.

Em comunicado enviado à agência Lusa, o secretariado da UGT de Castelo Branco explica que recentemente, em reunião, aprovou por unanimidade uma moção, através da qual se repudia a intenção da CGD de encerrar mais duas agências no distrito de Castelo Branco, concretamente a agência Amato Lusitano (na cidade) e a de São Vicente da Beira.

"Nesta última [São Vicente da Beira], a situação tem contornos de maior gravidade, uma vez que se trata da única dependência bancária a servir as populações, não só da freguesia de São Vicente da Beira, mas de freguesias limítrofes", lê-se na nota.

Os sindicalistas sublinham ainda que a CGD é a maior instituição bancária do país e, na sua qualidade de banco público, tem uma "especial responsabilidade na defesa da coesão social e territorial" e de "permitir o acesso a serviços bancários das populações do interior".

Apesar de a administração do banco público garantir que os postos de trabalho não estão em perigo, em caso de encerramento destas dependências, os sindicalistas explicam que apuraram que esses trabalhadores seriam colocados na área de Castelo Branco.

"A UGT de Castelo Branco e o Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas (associado à UGT) estarão atentos para que seja cumprido o que está contratualmente acordado. Sendo os trabalhadores, como estrutura sindical que somos, naturalmente a nossa principal preocupação, não consideramos aceitável que não sejam tidos em conta os naturais anseios das populações que veem ser-lhes retirado mais um serviço", concluem.

A CGD vai fechar cerca de 70 agências este ano, a maioria já este mês e nas áreas urbanas de Lisboa e Porto, indicou na semana passada, em comunicado, o banco público, que não indicou quantas são exatamente as agências que fecharão até ao final de junho, nem onde se situam, dizendo apenas que muitos desses balcões estão em áreas urbanas.

Segundo informações recolhidas pela Lusa nas últimas semanas, entre as agências da CGD que irão fechar estão, entre outras, Darque (Viana do Castelo), Grijó e Arcozelo (Gaia), Pedras Salgadas (Vila Pouca de Aguiar), Prior Velho (Loures), Alhandra (Vila Franca de Xira), Abraveses e Rua Formosa (Viseu), Louriçal (Pombal), Avanca (Estarreja), Desterro (Lamego), Carregado (Alenquer), Colos (Odemira), Alves Roçadas (Vila Real), Nogueira do Cravo (Oliveira de Azeméis), Perafita (Matosinhos) e Coimbra.

A CGD tinha 587 agências em Portugal no fim de 2017 e quer chegar ao final deste ano com cerca de 517.

A redução da operação da CGD, incluindo o fecho de 180 balcões em Portugal até 2020, foi acordada entre o Estado português e a Comissão Europeia como contrapartida pela recapitalização do banco público feita em 2017.

Em 2017 já tinha fechado 67 balcões, encerramentos que provocaram muita polémica e protestos, sendo o mais conhecido o caso de Almeida.

Assim, com o encerramento destes 70 balcões, a CGD terá ainda de fechar mais 43 balcões nos próximos dois anos.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ricardo Paes Mamede

O populismo entre nós

O sucesso eleitoral de movimentos e líderes populistas conservadores um pouco por todo o mundo (EUA, Brasil, Filipinas, Turquia, Itália, França, Alemanha, etc.) suscita apreensão nos países que ainda não foram contagiados pelo vírus. Em Portugal vários grupúsculos e pequenos líderes tentam aproveitar o ar dos tempos, aspirando a tornar-se os Trumps, Bolsonaros ou Salvinis lusitanos. Até prova em contrário, estas imitações de baixa qualidade parecem condenadas ao fracasso. Isso não significa, porém, que o país esteja livre de populismos da mesma espécie. Os riscos, porém, vêm de outras paragens, a mais óbvia das quais já é antiga, mas perdura por boas e más razões - o populismo territorial.