Sindicatos de professores alinhados no regresso à greve já em março

A FNE, afeta à UGT, e os independentes concordam com o recurso às greves e manifestações caso as negociações sobre a carreira não avancem. Proposta da Fenprof é para greve de uma semana, por regiões, no próximo mês

O regresso dos professores às greves, já no mês de março, ganha cada vez mais força, com os sindicatos afetos à UGT e independentes a mostrarem total disponibilidade para acertarem com a Federação Nacional dos Professores (Fenprof, da GCTP), um plano de ação que deverá ainda contemplar uma grande manifestação.

No final da semana passada, num plenário realizado em Lisboa, professores da Fenprof aprovaram um plano de ação que contempla "uma Greve Nacional de Professores e Educadores, a realizar, por regiões (Norte, Centro, Grande Lisboa, Sul e Regiões Autónomas), ao longo de toda a semana que se inicia em 12 de março (12 a 16 de março)", deixando ainda em aberto uma nova greve, "a concretizar no terceiro período", além de uma manifestação nacional.

Estas propostas foram aprovadas neste fim de semana pelo Conselho Nacional da Fenprof, e serão a levadas a uma reunião entre todas as organizações sindicais do setor, marcada para a próxima sexta-feira, na qual será feito o balanço das negociações com o Ministério até agora e analisada a possibilidade de retomar a luta.

Um cenário que, da perspetiva da Federação Nacional de Educação (FNE, da UGT), a segunda maior força sindical de docentes, tem fortes probabilidades de se concretizar. "É uma das questões que tem estado em cima da mesa", confirmou ao DN João Dias da Silva, secretário-geral da FNE. "O secretariado nacional da FNE reúne esta semana, nat erça-feira, vamos fazer o balanço do que tem sido o processo negocial e vamos ver o que poderá ser a resposta das organizações sindicais em termos da apreciação que vamos fazer desse processo negocial".

O balanço das negociações com o Ministério até ao momento , assumiu, é "negativo", pelo que o alinhamento com as propostas da Fenprof será natural: "A nossa afirmação de princípio foi sempre a de que, se houvesse necessidade, estaríamos disponíveis para a convergência na ação com as outras organizações sindicais de professores. É um cenário que está em cima da mesa, discuti-lo-emos na terça-feira", reforçou.

Também Júlia Azevedo, líder do Sindicato Independente dos Professores e Educadores (SIPE), uma das organizações independentes com maior representatividade, apontou o caminho da luta como provável. "Temos feitos plenários nas escolas mais ou menos a nível nacional, por agrupamentos", contou. "E os colegas são unânimes na ideia de que não podemos esperar pelo resultado destas negociações, porque elas não estão a ser levadas a bom porto, e devemos avançar com propostas de greves e manifestações. E é isso que vamos levar no dia 9 à reunião que temos com os outros sindicatos e também com a Fenprof", confirmou.

No caso do SIPE, a proposta dos associados aponta para "uma semana de greve marcada pelos sindicatos, sem ser indicada uma data concreta" ou "uma grande greve nacional que seria naturalmente acordada com os outros sindicatos". Em todo o caso, acrescentou, "estamos completamente disponíveis para concertar posições conjuntas, porque sabemos que juntos temos mais força".

Do acordo ao impasse

Para que a greve seja evitada, os sindicatos exigem que o Ministério reabra as negociações sobre os concursos de 2018/19 e os reposicionamentos nos 5.º e 7.º escalões da carreira, que terminaram sem garantias - nomeadamente de vagas - por parte do governo. Exigem ainda avanços concretos nas reuniões, que começam no dia 28, sobre reposicionamento na carreira e recuperaçãodo tempo de serviço congelado. Em cima da mesa estarão ainda questões como os horários de trabalho e o regime de aposentação dos professores. Em Novembro, na sequência da última greve, foi negociada e assinada uma declaração de compromisso com a tutela. Mas desde então poucos avanços se registaram.

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