Secretário de Estado da Cultura recebido com protestos

O secretário de Estado da Cultura foi recebido hoje, na Régua, com protestos contra a construção da barragem de Foz Tua e com os manifestantes a alegarem que esta colocará em risco a classificação do Douro como Património Mundial.

Francisco José Viegas recebeu do partido "Os Verdes" uma carta aberta e uma prenda que simboliza uma "gota de água do Douro", na qual se reflectem os seus socalcos.

Uma gota que, segundo a dirigente Manuela Cunha, não se quer que se transforme numa lágrima do Douro pela perda da classificação.

O governante aceitou e, mais uma vez, frisou que não admite perder a classificação. "É obvio que não admitimos perder a classificação, nós achamos que não está em causa perder a classificação", afirmou o secretário de Estado.

Aliás, Viegas fez questão de sublinhar que até foi a primeira pessoa a chamar a atenção para esta questão no Parlamento.

"Não vamos perder a classificação. Depende de conseguirmos minimizar todos os efeitos negativos que a barragem pode ter e depende de consensos", insistiu.

Em frente ao Museu do Douro "Os Verdes" colocaram uma tarja onde se podia ler "Douro Património da Humanidade, vamos preservar e valorizar, vamos parar a Barragem do Tua".

Para Manuela Cunha, a salvaguarda da classificação implica parar a construção da barragem. "Porque não há dúvida que este empreendimento consubstancia uma ferida aberta que irá infectar esta região", frisou.

A responsável salientou que é "preciso agora tomar a decisão certa" e lembrou que, para além de esventrar a paisagem, o empreendimento vai ter impactos na navegabilidade do rio Douro.

Manuela Cunha aproveitou ainda para criticar a actuação da Estrutura de Missão do Douro que diz que "não defendeu" o património.

Por sua vez, mesmo no edifício da estrutura museológica, ambientalistas da Quercus e do GEOTA penduraram um cartaz com uma retroescavadora desenhada e a mensagem "Barragens afundam o património. Douro vinhateiro em risco".

Foram poucas as bandeiras negras hasteadas em luto pelo Douro, mas João Branco, dirigente da Quercus, salientou que serviu para passar a mensagem de que o património Mundial da Humanidade vale "mais que 80 milhões de euros", que é o valor que foi gasto na foz do Tua.

"A construção da barragem significa a perda de uma paisagem e de uma ferrovia únicas no mundo. Parar esta obra é 40 vezes mais barato do que deixá-la avançar", frisou.

João Branco acusou ainda o Governo de esconder o relatório elaborado pela Icomos, uma associação de profissionais da conservação do património, que alerta que a construção de uma barragem, na foz do rio Tua, terá "um impacto irreversível" e constitui uma "ameaça ao valor excecional universal".

Mas, o mais estranho para o ambientalista é que, logo a partir de agosto, as obras começaram a ser feitas de noite e de dia e aos fins de semana. "Para agora se jogar num facto consumado", sublinhou.

À porta do Museu do Douro os contestatários, enquanto lá dentro se dava o arranque às comemorações do décimo aniversário do Alto Douro Vinhateiro (ADV), classificado como Paisagem Cultural Evolutiva e Viva da UNESCO.

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