Problemas resolvidos. Serenata Monumental em Coimbra vai mesmo realizar-se

Tradição estava em risco e chegou a ser anunciado que não se realizaria

A Secção de Fado da Associação Académica de Coimbra (AAC) anunciou esta quarta-feira que vai participar na Queima das Fitas e garantir a realização da Serenata Monumental, por terem sido resolvidos os problemas com a organização.

A 01 de março, a secção cultural responsável pela Serenata Monumental tinha comunicado a recusa em participar na Queima das Fitas deste ano face aos vários problemas que enfrentava, nomeadamente a ausência de financiamento nos últimos dois anos, as "péssimas condições" de 'backstage' oferecidos aos vários grupos académicos que integram a estrutura, bem como a necessidade de apuramento de responsabilidades "pelas irregularidades suscitadas" nos relatórios das festas de 2016 e 2017.

Resolvidos os problemas, a Secção de Fado anunciou, em comunicado enviado à Lusa, que vai participar na Queima das Fitas, nomeadamente na organização artística da Serenata Monumental, Sarau de Gala, Chá Dançante e nas noites de concertos na Praça da Canção.

"Tendo assegurado, junto da COQF [Comissão Organizadora da Queima das Fitas] 2018 e da AAC, o cabal cumprimento das condições supramencionadas, a Secção de Fado vem por este meio comunicar que estão reunidas as condições necessárias à sua participação na Queima das Fitas 2018", afirma a estrutura, que conta com nove grupos musicais.

No documento, a secção saúda a direção-geral da AAC, o Conselho Fiscal e a COQF "pela postura proativa com que encetaram todos os esforços, com vista à resolução do problema".

A posição inédita de se recusar a participar na Queima das Fitas, explica a estrutura, "foi tomada na firme convicção de que só por esta via as estruturas académicas poderiam finalmente receber as verbas devidas e cercear o contexto de asfixia financeira em que maioritariamente se vêem mergulhadas"

Para além disso, a secção acredita que também só por esta via "os grupos académicos teriam condições dignas do estatuto particular de que gozam no contexto de uma verdadeira festa académica; e só por esta via haveria lugar ao apuramento da responsabilidade disciplinar no âmbito de processos conduzidos pelos órgãos de fiscalização da casa".

"A Academia irreverente que propugnamos obriga-nos à intransigência com que exigimos uma mudança de atitude perante as secções da casa", sublinha a Secção de Fado.

Já a 01 de março, o vice-presidente da estrutura, Emanuel Nogueira, explicou à agência Lusa que se houvesse uma resolução dos problemas seria anulada a decisão de não participar na Queima das Fitas.

"A Secção de Fado teve um papel importante no regresso da Queima das Fitas e esta é uma atitude de desespero", sublinhou, na altura, Emanuel Nogueira.

Segundo o dirigente, desde 2016 que nenhuma secção cultural ou desportiva recebia apoio a partir do lucro da Queima das Fitas (fonte principal de financiamento das secções da AAC), por haver um diferendo nos relatórios das festas de 2016 e 2017, que continuava sem aprovação por parte do Conselho Fiscal.

A Queimas das Fitas de Coimbra decorre este ano de 04 a 11 de maio.

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