Níveis de água na bacia do Tejo com "descidas significativas"

Os valores aproximam-se dos verificados em 2004-2005 e em alguns casos são mesmo inferiores. A culpa é da chuva que caiu pouco durante o último ano

Os níveis de água subterrânea têm vindo a descer ao longo dos últimos meses na bacia hidrográfica do rio Tejo, confirmou fonte da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), citada pela Lusa.

A entidade afirmou que a diminuta precipitação do último ano hidrológico e as utilizações existentes levaram a "descidas significativas" dos níveis de água subterrânea, "tanto nos sistemas aquíferos como no interior da região, nas formações do Maciço Antigo".

"A descida dos níveis piezométricos (nível de água subterrânea) pode conduzir a que as captações de água de menor profundidade fiquem secas e que se comecem a utilizar as reservas", podendo também ocorrer "com maior frequência furos improdutivos".

A APA sublinha que, "enquanto não ocorrer precipitação significativa passível de repor as reservas hídricas (tanto superficiais como subterrâneas), torna-se importante preservar as águas subterrâneas existentes, de modo a auxiliar e a suprir as necessidades de água que possam surgir".

Os níveis de águas subterrâneas são medidos mensalmente há mais de 15 anos, havendo locais da bacia do rio Tejo onde as medições começaram na década de 1980, permitindo o acompanhamento da situação ao longo do tempo, acrescentou a fonte.

Quanto às albufeiras, a APA adianta que das 19 que na região da bacia hidrográfica do Tejo possuem capacidade de armazenamento significativo, apenas seis - uma delas no distrito de Santarém (Magos) - apresentam percentagens de armazenamento total abaixo dos 40%.

Sob vigilância estão as albufeiras de Divor (rega), no distrito de Évora, de Santa Luzia (abastecimento e energia), no distrito de Coimbra, do Maranhão (rega) e de Póvoa e Meadas (abastecimento e energia), ambas no distrito de Portalegre, de Cova Viriato (abastecimento), no distrito de Castelo Branco, e Magos (rega), no distrito de Santarém.

A APA adianta que a continuidade da situação de seca levou a Comissão Interministerial para a Seca, criada em junho, a aprovar um conjunto de medidas no passado dia 30 de outubro, estando a situação a ser acompanhada a nível nacional.

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