Governo alerta que ainda há problemas a enfrentar apesar da chuva

Secretário de Estado do Ambiente lembra que recarga dos aquíferos ocorre de uma forma particularmente lenta

O secretário de Estado do Ambiente, Carlos Martins, alertou hoje que o país ainda vai ter de "enfrentar problemas nos próximos tempos" devido à seca, sobretudo a sul do Tejo e, em especial, na bacia do Sado.

"Pese embora a chuva dos últimos dias, temos ainda de enfrentar problemas, seguramente nos próximos tempos, do ponto de vista" da "recarga dos aquíferos", a qual "ocorre de uma forma particularmente lenta", disse o governante à agência Lusa, à margem do 14.º Congresso da Água, que começou hoje em Évora.

Segundo o secretário de Estado, o país anda vai "precisar que haja muita precipitação e que ela seja de molde a poder haver recarga de aquíferos".

"Infelizmente, não controlamos a forma como precipita e não podemos ter a aspiração de ela ocorrer em todo o território de maneira tão boa quanto está a ocorrer na zona norte do Tejo", afirmou.

A sul do Tejo ainda subsistem "grandes desafios", salientou Carlos Martins, explicando que estes prendem-se mais com a rega agrícola do que com o abastecimento público às populações, que vai ser reforçado graças a projetos que envolvem a empresa gestora do Alqueva (EDIA) e a Águas de Portugal.

"Aqui no Alentejo, a notícia relevante foi esta parceria, que vai permitir, dentro de dois anos, termos aqui soluções redundantes muito mais seguras" para o "abastecimento de água às populações e também um conjunto de investimentos novos, sobretudo na área de Mértola", elogiou.

Mas, frisou, como "a sul do Tejo e nomeadamente na bacia do Sado os problemas ainda estão para ficar" e "não foi esta chuva que os ultrapassou", é preciso "fazer melhor" e olhar de forma "muito criteriosa" para o uso da água, sobretudo o uso agrícola.

"Esta chuva sossega-nos um pouco mais no que é o abastecimento público, mas 92% da água é utilizada na agricultura e aí os problemas ainda se colocam", vincou.

Carlos Martins reconheceu que há explorações agrícolas que gerem a água de forma eficiente, mas há também exemplos menos positivos.

"Não podemos ignorar que há ainda muitos perímetros de rega que usam técnicas e infraestruturas que já não se compadecem com aquilo que é a escassez da água" e que há "utilizadores que, eventualmente, não usam as melhores práticas agrícolas e as melhores práticas de rega", disse.

"Há aqui, quer no nível da capacitação técnica, quer no nível de construir e modernizar infraestruturas, um trabalho que é importante ainda continuar", defendeu, sugerindo ainda que, em alguns territórios, é preciso "repensar algumas culturas agrícolas".

No 14.º Congresso da Água, promovido pela Associação Portuguesa dos Recursos Hídricos (APRH) e que decorre até sexta-feira, o secretário de Estado do Ambiente aludiu, na sua intervenção, aos Planos de Contingência para a Seca, que vão ser elaborados pelas Administrações das Regiões Hidrográficas (ARH).

O Governo, frisou, pretende que estes planos possam estar "todos concluídos até ao final de 2018" para que o país possa ter "um inventário bem completo das águas superficiais e subterrâneas e dos sistemas semipúblicos que foram abandonados" e que se quer "recuperar".

O objetivo passa por ter uma "noção clara daquilo que são cenários de oferta de água tendo em conta as projeções e cenários das alterações climáticas" e, ao mesmo tempo, ter "um estudo para aquilo que são as projeções dos consumos para uso público de abastecimento de água, para a utilização na agricultura e para a utilização na indústria", explicou.

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