"Se Rui Rio tiver opinião diferente e quiser avançar é este o momento"

Luís Montenegro afirma em entrevista ao DN que os militantes que discordam da linha política do PSD têm agora uma excelente oportunidade

As diretas de março farão de Passos o candidato a primeiro-ministro nas próximas legislativas?

Como militante, o que posso dizer é que acredito que Passos é o homem certo, no lugar certo, na hora certa, que é esta. Portanto, deve continuar a liderar o PSD e continuar o seu trabalho de afirmação política das nossas ideias e dos nossos programas para continuar a ganhar eleições. Por acaso só disputou duas eleições legislativas e ganhou as duas. Como diz o povo, não há duas sem três e eu sou daqueles que entendem que ele tem todas as condições para liderar o PSD nas próximas legislativas.

Passos Coelho terá de ter um sucessor. Seja agora ou em 2019. Está ou não disponível para se candidatar a essa liderança?

Não antevejo na minha leitura política que tenhamos grandes problemas de liderança nos próximos anos no partido. Sendo eu um apoiante convicto da liderança de Passos, estou tudo menos preocupado com a sua sucessão. Não consigo perspetivar quando ela poderá ocorrer. Obviamente que não será eterno. Mas a minha concentração está de facto muito virada para o ajudar no trabalho que temos agora de renovar do nosso programa de afirmação política para o país. De combate político na oposição, mas simultaneamente afirmando a nossa alternativa. Para quando o povo for chamado, voltar a confiar em nós como em 2011 e 2015.

Seria redundante o líder convidá-lo para a direção do partido no próximo congresso?

Nunca falámos disso. Será uma questão que, se ele entender colocar, na altura própria será avaliada.

Como viu as declarações de Rui Rio na terça-feira, que será mais difícil a Passos Coelho vencer as eleições por não ser "novidade"?

Discordo em absoluto delas. António Costa tinha todo o fator novidade. Estava novinho para ser apresentado aos eleitores. O PS vinha de uma vitória eleitoral das europeias, as tais do poucochinho. E com toda essa novidade, Costa foi copiosamente derrotado nas legislativas.

Rui Rio, se tiver essa ambição, deve ir a jogo e enfrentar Passos Coelho nas próximas diretas?

Os militantes que discordam da linha política do PSD têm agora uma excelente oportunidade. Houve uma altura em que Rui Rio disse publicamente que com o PSD no governo nem sequer fazia sentido colocar a questão. Bem, as circunstâncias agora são diferentes, portanto, é saudável, democrático e até exigível que aqueles que têm uma posição diferente que possa enriquecer o debate interno no PSD possam avançar. Não sei se é o caso de Rui Rio. Se ele tiver opinião diferente e quiser avançar, é este o momento. Ainda não vislumbrei se ele quer. Sei que há algumas pessoas à volta dele, que têm essa opinião dele. Não desconheço isso. Não vou fazer figura de ingénuo. Sem nenhum tipo de drama, ganhe quem ganhar. O PSD não é um partido de unanimismos.

Banif, desvio no défice e Novo Banco. Considera mesmo que o governo deixou a casa arrumada ou deixou armadilhas para António Costa?

Se nós tivéssemos recebido a herança que deixámos ao PS, em 2011, se calhar tínhamos ganho as eleições com 60% ou 65% dos votos. Admitindo que há aqui um pequeno ajustezinho na política orçamental e temos de gastar menos 46 milhões, os tais 0,026% e mesmo admitindo esses problemas do sistema financeiro, que tem intervenção do regulador, que podia ter sido acelerado. Mas vamos admitir que tínhamos deixado esses grãos na engrenagem. Meu deus. Meu deus. Comparar isso com o memorando de entendimento, com um défice de 11,2%, com o desemprego que vinha a subir há quase uma década, com três mil milhões de dívidas no Serviço Nacional Saúde, com os cofres absolutamente vazios, escancarados, sem um tostão para pagar salários no mês seguinte. Então, admitindo que deixámos esses grãos na engrenagem, então o PS e Costa são gente de sorte, de facto, porque nós não tivemos, infelizmente, essa sorte.

Como é ser o patrão do patrão no Parlamento e liderar o deputado Passos Coelho?

É muito fácil porque coordenamos e articulamos tudo o que aqui se faz. Estamos em contacto permanente.

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