São José avança para internamentos em casa

Medida liberta camas e ajuda a evitar infeções multirresistentes, argumenta o hospital. Destina-se a doenças como pneumonias.

O Hospital de São José vai avançar com um projeto para internar doentes nas suas próprias casas. Numa altura em que assinala dois anos à frente do Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC), do qual faz parte o São José, a presidente do conselho de administração adiantou ao DN que esta é uma das apostas para libertar camas para casos mais graves, a que se juntam consultas destinadas aos doentes que mais recorrem às urgências.

O hospital já teve luz verde da Administração Central do Sistema de Saúde para avançar com o projeto que, argumenta, pode evitar infeções hospitalares multirresistentes, reduzir os custos e libertar camas de agudos nos hospitais. No Garcia de Orta, em Almada, o primeiro e um dos poucos a ter hospitalização domiciliária, o custo médio por doente nos internamentos em casa fica nos 600/700 euros, duas a três vezes inferior ao tradicional. Dados de 2016 mostravam ainda que o tempo de internamento era de oito dias, também ele mais curto.

Na prática, entre as doenças elegíveis para este tipo de hospitalização estão casos agudos, como pneumonias, infeções urinárias que requeriam antibiótico intravenoso ou insuficiências cardíacas, situações que podem ser detetadas nas urgências e que são consideradas as mais leves entre as que precisam de internamento hospitalar. "Temos este projeto para dar resposta a populações que eventualmente, de uma forma programada, não precisem de ser internadas e que nós podemos acompanhar em proximidade, em interligação com os cuidados de saúde primários", explica Ana Escoval em entrevista ao DN.

A medida implica uma avaliação das condições das habitações e a aceitação por parte do doente. Isto além da existência de um cuidador, destaca a presidente do CHLC. Quanto às equipas, disponíveis 24 horas por dia, serão formadas por médicos, enfermeiros, assistentes sociais, mas também fisioterapeutas ou psicólogos. No caso do Garcia de Orta, era composta por nove enfermeiros, quatro médicos, um farmacêutico, uma assistente social e uma dietista.

Consultas para evitar urgências

O Hospital de São José e os centros de saúde da zona central da cidade também já estão a traçar o perfil dos grandes utilizadores de urgências, para perceber, por exemplo, que idade têm, quantas vezes recorrem aos serviços e quais as doenças mais comuns, para poderem fazer um acompanhamento mais próximo desses utentes. Ana Escoval adianta que essas medidas passam por ter "consultas abertas que permitam que uma pessoa venha de uma forma programada ou semiprogramada", libertando espaço para os casos verdadeiramente emergentes, o que já acontece em áreas como ortopedia, estomatologia e otorrino

Criado em 2015, o projeto Valorização do Percurso dos Doentes - que inclui a Unidade de Saúde Familiar (USF) Monte Pedral, que serve a freguesia da Penha de França com um número aproximado de 33 mil utentes - permitiu perceber que nesse ano apenas 148 doentes foram responsáveis por 1034 episódios de urgência. De uma amostra retirada desse total, concluiu-se que a maioria dos utilizadores frequentes era do sexo feminino, acima de 50% estavam em situação de pobreza e o grupo etário mais comum foi o dos doentes entre os 40 e os 64 anos. Quanto às doenças mais comuns, o destaque vai para problemas psiquiátricos, muitas vezes associados à pobreza, e insuficiência cardíaca. Em 2016, alargou-se o projeto aos utentes residentes na freguesia de Santa Maria Maior, com a identificação de 1395 episódios de urgência, referentes a 195 doentes utilizadores frequentes do serviço do São José.

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