Santana pressionado para lançar candidatura antes de Rio

Estatutos da Misericórdia de Lisboa não preveem suspensão do mandato do provedor. Um problema para resolver com Costa

Desta vez é diferente. Desta vez é mesmo para avançar. Só algo do domínio do absolutamente imponderável fará Pedro Santana Lopes recuar na intenção de se candidatar a presidente do PSD.

A certeza foi avançada do DN por amigos do (ainda) provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML). O quadro mental de Santana é agora completamente diferente daquele que tinha, por exemplo, quando o tentaram convencer a ser candidato à Câmara Municipal de Lisboa. Nessa altura nunca esteve verdadeiramente disponível. Só uma intensa pressão em sentido contrário é que o levou a prolongar o tempo de ponderação. Também quando alimentou o sonho de ser candidato a Presidente da República percebeu rapidamente que não tinha nenhuma hipótese frente ao hiperpopular Marcelo Rebelo de Sousa.

Um dos interlocutores, ontem, do DN disse mesmo que Santana Lopes poderá nem esperar pelo anúncio formal de Rui Rio - provavelmente (mas ainda sem confirmação oficial) na quarta-feira, em Coimbra. Ontem, o Observador dizia que o anúncio de Santana poderia ocorrer hoje mesmo, domingo. Fonte próxima não confirmou - aliás, achou improvável. E há ainda um problema por resolver.

Esse problema chama-se, precisamente, Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Para avançar para o PSD, Santana Lopes teria de suspender o mandato como provedor (que ocupa desde 2011, nomeado por Passos Coelho e depois reconduzido por António Costa). Ora nada há na lei que preveja essa figura da suspensão do mandato - só a da renúncia. Uma certeza: avançando, Santana Lopes terá de previamente conversar com o primeiro-ministro. A SCML tem um número dois afeto ao PS, Edmundo Martinho, antigo presidente do Instituto da Segurança Social.

Santana tem passado os últimos dias em contactos com militantes do PSD. Recebeu incentivos de, por exemplo, Carlos Moedas, como ontem o Expresso noticiou. Há pelo menos um presidente de uma distrital que já disse publicamente que o apoia, o seu velho amigo Manuel Frexes, de Castelo Branco. Outros já lhe terão dito que o apoiarão quando a candidatura for formalmente apresentada. Os apelos terão aumentado de intensidade após os recuos de Luís Montenegro e de Paulo Rangel. Santana conta também ter do seu lado Miguel Pinto Luz, ex-presidente da distrital de Lisboa do PSD. Na terça-feira a seguir às autárquicas disse na SIC Notícias que estava "ponderar" uma candidatura. Na sexta-feira, escreveu no Correio da Manhã que está a preparar um programa: "É disso que estou a cuidar estes dias."

Para a ponderação do atual provedor da SCML conta também a convicção de que já conseguiu reparar os danos na sua imagem da desastrosa experiência como presidente do PSD e primeiro-ministro, entre 2004 e 2005.

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