Santana não acredita que Morais Sarmento ou Rio ganhem a Passos

Provedor da Santa Casa admite que o líder do PSD "é mais primeiro-ministro do que líder da oposição" e que as coisas não lhe têm corrido bem. Mas acha que este manterá a liderança do partido

Pedro Santana Lopes, 61 anos, ex-primeiro-ministro e líder do PSD, admite que os últimos tempos não têm sido bons para o partido e para Pedro Passos Coelho, mas mantém, em entrevista à Rádio Renascença e ao Público, o apoio ao presidente dos sociais-democratas.

"O PSD passou por um ano e tal muito difícil. Ganhou as eleições e, de repente, viu nascer em Portugal uma solução que não considerava possível. Demorou a adaptar-se. Não vou dizer apático, mas que ainda está a acordar de um sonho mau, é manifesto", diz, acrescentando que o próprio Passos Coelho "reconhecerá que não tem corrido bem". Santana Lopes afirma, aliás, que o presidente do PSD "é mais primeiro-ministro do que líder da oposição".

Apesar disso, o comentador político não antevê que Passos possa perder a liderança do PSD para Morais Sarmento ou Rui Rio. "Não acredito", diz, quando confrontado com essa possibilidade. Aliás, analisa de forma crítica a candidatura de Morais Sarmento numa secção de Lisboa: "quando não há oportunidade de se fazer estas coisas a nível nacional, brinca-se um bocadinho a nível local".

Santana Lopes, um dos nomes que chegou a ser apontado para candidato do PSD à Câmara de Lisboa nas próximas autárquicas, critica a ausência de um programa da candidata Teresa Leal Coelho. "Em circunstâncias normais não é compreensível, tem de haver uma razão que eu desconheço", defende, admitindo não ter retido as entrevistas já dadas por Leal Coelho.

Nesta mesma entrevista conjunta, o provedor da Santa Casa considera que, no que respeito aos incêndios de Pedrógão, "quem representa o Estado", nomeadamente o presidente da República, já deveria ter pedido desculpa aos portugueses. "Das falhas, porque algo falhou, isso já é manifesto. Do Estado não ter sido capaz de fazer tudo quanto as pessoas tinham direito que fizesse. Mesmo que estivesse tudo bem, que não está, um pedido de desculpas era devido. As pessoas têm direito a esperar que o Estado tome conta delas, quando lhes acontece uma tragédia", afirma.

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