Santana defende recondução da PGR. Rio recusa alimentar "um não assunto"

Ex-autarca do Porto alinhou no mesmo discurso de Marcelo Rebelo de Sousa

Pedro Santana Lopes defendeu esta quarta-feira a recondução da atual procuradora-geral da República, enquanto Rui Rio não revelou a sua posição para não alimentar "um não assunto", tal como foi classificado pelo Presidente da República.

No segundo debate televisivo entre os dois candidatos à liderança do PSD, na TVI, ambos concordaram com a posição hoje expressa por Marcelo Rebelo de Sousa, que avisou que só se pronuncia sobre a nomeação de titulares de órgãos do Estado sob proposta do Governo, como é o caso da Procuradoria-Geral da República (PGR), no momento da designação.

"Como o Presidente da República disse, este devia ser um não assunto neste momento, é falta de sentido de Estado estar a pôr a questão em cima da mesa quando faltam dez meses para terminar o mandato", afirmou Santana Lopes.

Questionado se defende ou não a recondução de Joana Marques Vidal, que termina o mandato de seis anos em outubro, Santana Lopes respondeu afirmativamente.

"Politicamente, se hoje tivesse de tomar uma decisão, como líder da oposição, diria que é adequada a renovação do mandato da PGR", afirmou, acusando ainda o seu adversário de ter colocado este tema na agenda ao fazer, no debate da RTP, um balanço negativo do trabalho do Ministério Público.

Rui Rio disse rever-se a "100%" no que disse o Presidente da República e considerou que seria até de bom tom este ser um "não assunto".

"O partido há de pensar nisso, eu não devo alimentar isto dizendo que sim ou não, senão estou a colaborar uma coisa que acho que é má para a atual procuradora", afirmou, escusando-se a responder se defende ou não a recondução de Joana Marques Vidal.

Sobre o balanço negativo que fez da atuação do Ministério Público no anterior debate, Rui Rio disse tratar-se de uma apreciação global sobre o sistema de justiça, admitindo até desconhecer que havia uma questão à volta do fim do mandato de Joana Marques Vidal.

"Tenho andando pelo país e chego a Lisboa e pergunto-me: o que se passou aqui na corte que estão a debater uma coisa que eu desconhecia? Ainda bem que o Presidente da República pôs as coisas no devido lugar", afirmou.

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