Sampaio da Nóvoa vai ser embaixador de Portugal

O processo de nomeação já foi desencadeado pelo Governo

O ministro dos Negócios Estrangeiros considerou hoje que a escolha de António Sampaio da Nóvoa para embaixador de Portugal junto da UNESCO se deveu, entre outras razões, ao facto de o ex-reitor ser uma "autoridade internacionalmente reconhecida" na Educação.

A notícia de que o ex-reitor da Universidade de Lisboa António Sampaio da Nóvoa tinha sido escolhido pelo Governo para representante permanente na UNESCO-- a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura - foi avançada hoje pelo jornal Público.

"Portugal foi eleito no passado mês de novembro para o conselho executivo da UNESCO e, para o Governo, isso tem como consequência óbvia a reabertura da nossa representação permanente na UNESCO", salientou o ministro, recordando que a representação tinha sido "suspensa no tempo da Troika".

Por isso mesmo, desde essa altura "era o embaixador em França que acumulava as funções de representante junto da UNESCO".

As "três razões essenciais" da escolha

"A primeira é que o professor é uma autoridade internacionalmente reconhecida nos domínios da Educação, quer do ponto de vista analítico (da história da Educação) como do ponto de vista técnico, no apoio às politicas públicas na Educação. Portanto é uma autoridade internacional numa das áreas fundamentais na missão da UNESCO", salientou o chefe da diplomacia portuguesa.

A segunda razão, acrescentou, é que o Executivo entende que Sampaio da Nóvoa "combina a sua experiência como académico e perito nas áreas da Educação e da Ciência" com uma experiência "não menos relevante de gestão e direção em instituições culturais, científicas e académicas", nomeadamente como reitor durante vários mandatos reitor da Universidade de Lisboa.

A terceira razão é que o conhecimento que Sampaio da Nóvoa tem da própria atividade da UNESCO, organização para a qual tem trabalhado como perito, recordou.

"Estas três razões levaram-nos a convidá-lo para assumir as funções de representante permanente. Com muito agrado nosso, ele aceitou o nosso convite", disse Santos Silva, sublinhando que "está em curso o seu processo de nomeação".

A tradição

O ministro afirmou que a nomeação de Sampaio da Nóvoa para embaixador da UNESCO dá continuidade "à tradição portuguesa" de apenas em casos muitos raros designar para o cargo de embaixadores personalidades que não são diplomatas.

"A tradição portuguesa - que é muito boa e que este governo continua - é a de só designar muito raramente embaixadores que não são diplomatas, como é este caso, e para organizações internacionais de cunho predominantemente técnico", disse Santos Silva.

Pela UNESCO passaram "embaixadores ditos políticos" como Maria de Lurdes Pintassilgo, José Augusto Seabra, Manuel Maria Carrilho, e em breve António Sampaio da Nóvoa.

"Mas também na OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico). Lembra-se certamente de Basílio Horta, antes tinha sido Pedro Roseta e mais recentemente Eduardo Ferro Rodrigues. Nós circunscrevemos a nomeação de embaixadores não profissionais a organizações internacionais de apoio às politicas publicas onde o perfil técnico e académico, ou de experiencia política, dessas pessoas possa acrescentar valor", referiu.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Anselmo Borges

Islamofobia e cristianofobia

1. Não há dúvida de que a visita do Papa Francisco aos Emirados Árabes Unidos de 3 a 5 deste mês constituiu uma visita para a história, como aqui procurei mostrar na semana passada. O próprio Francisco caracterizou a sua viagem como "uma nova página no diálogo entre cristianismo e islão". É preciso ler e estudar o "Documento sobre a fraternidade humana", então assinado por ele e pelo grande imã de Al-Azhar. Também foi a primeira vez que um Papa celebrou missa para 150 mil cristãos na Península Arábica, berço do islão, num espaço público.

Premium

Adriano Moreira

Uma ameaça à cidadania

A conquista ocidental, que com ela procurou ocidentalizar o mundo em que agora crescem os emergentes que parecem desenhar-lhe o outono, do modelo democrático-liberal, no qual a cidadania implica o dever de votar, escolhendo entre propostas claras a que lhe parece mais adequada para servir o interesse comum, nacional e internacional, tem sofrido fragilidades que vão para além da reforma do sistema porque vão no sentido de o substituir. Não há muitas décadas, a última foi a da lembrança que deixou rasto na Segunda Guerra Mundial, pelo que a ameaça regressa a várias latitudes.