Saída de Passos deixa ideia de maioria absoluta do PS "muito mais longe"

Marques Mendes diz que Pedro Santana Lopes está a ser pressionado para avançar com a candidatura a líder do PSD e que a decisão será tomada entre esta segunda e terça-feira

"Esta é a terceira vez que eleições, neste caso autárquicas, provocam uma mudança profunda no plano nacional. Levam à mudança de liderança do PSD que ninguém imaginava. Foi um cartão vermelho para a oposição. A saída de cena de Pedro Passos Coelho vai ter mudanças profundas. Provavelmente António Costa já não quer eleições antecipadas e a ideia de uma maioria absoluta do PS ficou muito mais longe", disse este domingo à noite Luís Marques Mendes, no seu comentário habitual na SIC.

O comentador, que assume que nunca equacionou nem ponderou ser candidato à liderança do PSD, considerou que Passos Coelho não tinha condições para se manter à frente dos sociais democratas e que este "não foi um bom líder da oposição", mas "foi um bom Primeiro-Ministro num tempo difícil e tirou o país da bancarrota".

Quanto a quem será o próximo líder do PSD, Marques Mendes afirmou que a candidatura de Rui Rio era a candidatura "mais esperada de todas". O anúncio oficial está marcado para a próxima quarta-feira e para o comentador Rio têm algumas vantagens, como o "ter uma imagem de político sério" e "não ter estado ligado aos últimos seis anos do PSD". Mas também desvantagens, como as suas ideias sobre a regionalização, justiça e comunicação social que não agradam a todos. Acima de tudo, para Marques Mendes, é fundamental que Rio se afaste da ideia de um bloco central em que poderá ser o número dois de António Costa. "Se fosse ele, desfazia já esta ideia."

Quanto a Pedro Santana Lopes, outro nome na equação para a liderança do PSD, Marques Mendes disse que sabe que este "está a ser pressionado" e adiantou que "há 70% de possibilidade de Santana Lopes ser candidato e "tomará uma decisão o mais tardar entre amanhã e terça feira". Considerou que se tomar a decisão de se candidatar, "será um ato de coragem porque é uma jogada de alto risco".

Sobre o futuro do partido, "não é preciso apenas mudar de líder, é preciso recentrar o partido mais ao centro, dotar com outra sensibilidade social e que se torne mais atrativo no discurso, na ligação à sociedade civil. Aplica-se a qualquer líder que venha a ganhar para ter sucesso", afirmou.

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