Rui Moreira: "Quem rompeu foi o PS a partir do Largo do Rato"

Em entrevista à TSF, autarca explica a rutura após vereadores socialistas deixarem cargos

Rui Moreira responsabilizou ontem diretamente o secretariado do PS em Lisboa pela rutura entre o seu movimento independente e os socialistas do Porto. "Quem rompeu foi o PS" a partir de Lisboa - mas "tenho a certeza absoluta" de que António Costa não participou, insistiu o presidente da Câmara Municipal do Porto em entrevista à TSF, horas depois de os vereadores executivos do PS na autarquia lhe terem entregue as respetivas pastas "por imperativo ético", explicaram.

O autarca lembrou que "aquilo que [lhe] tinha sido prometido" pelo próprio António Costa fora o apoio do PS à sua recandidatura e que o PS-Porto partilhava essa posição. "A perturbação veio de fora", diretamente "do Largo do Rato", pois a solução "estava consagrada e não tenho dúvidas de que o primeiro-ministro estava solidário". A cidade "não vai esquecer que foi alvo do centralismo, das jogadas de poder" partidárias, assegurou.

Rui Moreira, num breve exercício de memória sobre os acontecimentos que culminaram com o fim do apoio do PS à sua candidatura, apontou o dedo ao eurodeputado Manuel dos Santos - "um sobrevivente no PS" - por ter feito "um ataque terrível ao primeiro-ministro, a mim e aos [socialistas do Porto] Manuel Pizarro e Tiago Barbosa Ribeiro". A secretária-geral adjunta, Ana Catarina Mendes, também foi responsabilizada pelo autarca. "Nunca critiquei os partidos [...] mas o comportamento dos diretórios dos partidos", justificou Rui Moreira, dizendo esperar que "uma parte" dos socialistas portuenses votem em si nas eleições marcadas para 1 de outubro. "Não temos a lógica dos partidos", salientou Rui Moreira, concluindo: "Infelizmente, espero que [a minha vitória] dê um contributo para que os partidos comecem a perceber" o que ele próprio já tinha dito há quatro anos: os partidos não são "donos dos votos" dos cidadãos.

Com o PS a informar ontem, em comunicado, que os vereadores Manuel Pizarro, Manuel Correia Fernandes e Carla Miranda "exercerão, até ao fim do mandato, o cargo para o qual foram eleitos, sempre com a mesma postura construtiva que até agora revelaram", Rui Moreira não perdeu tempo a reagir e retirou-lhes os pelouros, assumindo o de Manuel Pizarro (habitação e ação social) e chamando o arquiteto Rui Loza - eleito pelo movimento independente do atual presidente há quatro anos - para o pelouro do urbanismo.

Segundo o Gabinete de Comunicação e Promoção da câmara, Rui Loza coordenou a elaboração do processo de candidatura do centro histórico do Porto à inclusão na lista do Património Mundial da UNESCO (1996) e, em 2008, a equipa que fez o respetivo "plano de gestão". O mesmo gabinete, notando que Rui Moreira "estava ultimamente mais aliviado de pelouros, depois de ter distribuído pelouros" a Ricardo Valente (PSD) e a Manuel Aranha (independente), lembrou que o autarca "mantém a maioria absoluta no executivo, tendo sete em 13 membros com pelouro".

O DN contactou as concelhias do PS de Lisboa e do Porto para obter uma reação à entrevista do autarca, mas não obtivemos resposta. Também ontem, após o desmentido socialista da véspera, o Expresso noticiou que o jornalista Júlio Magalhães "foi mesmo sondado pelo PS para avançar no Porto".

Com Miguel Marujo

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