Rui Moreira faz a contabilidade para "ser julgada nas urnas"

Candidato diz ter cumprido quase na totalidade as 22 medidas que apresentou há quatro anos. E distancia-se de acordos com o PSD

Rui Moreira tinha acabado de elencar as medidas que tinha cumprido durante o seu mandato, prometidas na campanha de 2013, e deu voz aos apoiantes. E o primeiro a falar foi o homem que "durante três anos e meio foi líder da bancada do PSD na Assembleia Municipal do Porto, em oposição a Rui Moreira". Luís Artur tem hoje outra opinião, depois de sair do partido. "Em termos políticos, Rui Moreira foi um excelente presidente da Câmara do Porto enquanto defensor da sua cidade. Há muitos anos que não tínhamos um líder natural que defendesse a cidade e a região como Rui Moreira", disse, para ouvir os aplausos das dezenas de pessoas que compareceram na sede do movimento, nos Aliados.

O candidato gostou, obviamente, de escutar os elogios, que se estenderam às contas - "deixa a câmara em melhor situação financeira - e à relação com a cidade e as instituições. Encaixava tudo com o balanço que tinha acabado de fazer, em que concluiu que das 22 medidas prometidas há quatro anos todas foram cumpridas, com exceção de uma: transferir os bairros sociais do Estado para o património municipal, por depender da administração central.

No resto, o independente que se recandidata com apoio do CDS respondeu aos opositores Manuel Pizarro (PSD) e Álvaro Santos Almeida (PSD) que fazem uma contabilidade diferente. "Há um candidato [Álvaro Santos Almeida] que anda há quatro meses a dizer que só cumprimos uma das 22 medidas. É honesto dizer que só cumprimos uma?", atirou, sem esquecer que Manuel Pizarro tem dito que a câmara cumpriu 86% do programa do PS. "Não consigo fazer as contas dessa maneira, nem sei se será muito honesto transformar estas coisas em contabilidade. A verdadeira contabilidade faz-se no dia 1 de outubro."

Além do ex-líder municipal do PSD, a outra intervenção foi de Helder Sampaio, outro portuense que esteve ligado ao PSD na elaboração do programa da primeira candidatura de Rui Rio. Depois desiludiu-se pela falta de aposta na cultura. Uma das áreas em que Rui Moreira considera ter superado as promessas e que vê como essencial manter, por ser "aquilo que nos junta". Moreira lembrou ainda que a sua equipa viveu duas tragédias, com as morte de Paulo Cunha e Silva e de Sampaio Pimentel. "Não eram vereadores quaisquer."

Antes deste balanço, Rui Moreira esteve no Centro de Convívio de Reformados do Porto, onde até jogou dominó. Aproveitou para deixar claro que não há hipótese de entendimento pós-eleitoral com o PSD. "De forma alguma", sentenciou, e criticou Manuel Pizarro por ter abandonado ontem mais cedo a reunião de câmara para ir fazer campanha (o socialista diz que saiu apenas 15 minutos antes do final) e Álvaro Santos Almeida por estar sempre a referir o apoio de Rui Rio. "Faz bem em puxar os galões de outrem. Acho perfeito."

Já Álvaro Santos Almeida teve ações de campanha, com a manhã em Paranhos, onde o PSD tem a sua única junta de freguesia na cidade. À tarde visitou os Bombeiros Voluntários Portuenses e defendeu a criação de sinergias entre os Sapadores Bombeiros e as duas corporações de voluntários existentes na cidade, para "reduzir custos e aumentar a qualidade dos serviços".

Bloco quer eleger vereador

Com mais agitação, João Teixeira Lopes recebeu Catarina Martins no Porto após a líder do BE ter começado uma arruada em Gaia, e atravessado a Ponte D. Luís I. "Nós no Porto precisamos de estar na câmara municipal. Nunca estivemos e tem faltado um vereador do Bloco na câmara", disse Catarina Martins, para quem a eleição dos candidatos do BE significa a "exigência de mais saúde, mais transparência, mais preocupação com os direitos concretos das pessoas". João Teixeira Lopes levou a líder a visitar uma mulher que é um exemplo dos portuenses que são expulsos da cidade. "Há já escritórios de advogados especializados nessa pressão quotidiana. As pessoas sentem-se pressionadas e com medo de ficarem sem casa. Esta senhora está protegida pela idade, outros não estão", disse João Teixeira Lopes à saída de uma casa na Rua da Reboleira, onde vive, com 84 anos, uma mulher que é a "única habitante num prédio totalmente dedicado a alojamento local".

Exclusivos