Rui Machete apoia Santana Lopes à liderança do PSD

A notícia foi dada esta noite por Marques Mendes, no seu habitual comentário na SIC. Sobre o relatório de Pedrógão, Mendes diz que é uma ajuda ao MP para fazer uma acusação de homicídio por negligência

O ex-ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, será o presidente da Comissão de Honra de Santana Lopes, cuja candidatura à liderança do PSD será oficialmente apresentada no próximo sábado, fora de Lisboa, revelou esta noite na SIC, Marques Mendes. Machete é um dos fundadores do PSD e ocupou cargos ministeriais em vários governos, o último dos quais ministro dos Negócios Estrangeiros na legislatura de Passos Coelho. Numa das últimas declarações públicas, uma entrevista à Rádio Renascença, em 2016, lançou algumas críticas à gestão política do seu partido. "Não é preciso grandes discursos, mas as pessoas têm de saber que há alternativas. Muitas vezes dá a sensação que se tem um certo mutismo", afirmou.

Marques Mendes elogiou o "talento fora do vulgar" de Santana. "Ainda sem ter apresentado a sua candidatura formalmente esteve durante uma semana seguida na liderança mediática, a ser notícia, a antecipar-se, a distribuir charme e simpatia, a marcar a agenda. É obra", salientou o comentador. Quanto a Rui Rio considera que "no essencialmente cumpriu", na apresentação da sua candidatura, apesar de "muito prejudicada pelo dia, da divulgação da acusação a Sócrates". Mendes não arrisca um vencedor, sublinhando que "vão ser eleições muito disputadas".

Relatório ajuda MP a acusar por homicídio por negligência

Marques Mendes deixou também a sua interpretação sobre o recente relatório da comissão técnica independente sobre os incêndios de Pedrógão. Destaca "quatro importantes responsabilidades": a sistémica, com as críticas dos peritos ao modelo existente, que separa prevenção de combate e que é "um arraso ao modelo criado em 2005 por António Costa, então ministro da Administração Interna"; a operacional, com o "amadorismo, inexperiência, comando caótico, negligência" e que é um "xeque-mate à Proteção Civil e uma ajuda ao Ministério Público para fazer uma acusação de homicídio por negligência"; a política, uma vez que "o governo falhou em toda a linha", no modelo, nas pessoas que escolheu, nas nomeações fora de tempo. "Em boa verdade, se tivesse um mínimo de princípios, depois deste relatório, a MAI pedia para sair e colocava o seu lugar à disposição, mas isso não vai suceder, pois o primeiro-ministro só quer ler uma das partes do relatório, das recomendações, e finge que não lê o resto"; a responsabilidade civil: depois deste relatório não há qualquer dúvida que o Estado falhou e não há qualquer razão para que o governo não acione já o processo de atribuição de indemnizações aos familiares das vítimas de Pedrógão".

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Patrícia Viegas

Espanha e os fantasmas da Guerra Civil

Em 2011, fazendo a cobertura das legislativas que deram ao PP de Mariano Rajoy uma maioria absoluta histórica, notei que quando perguntava a algumas pessoas do PP o que achavam do PSOE, e vice-versa, elas respondiam, referindo-se aos outros, não como socialistas ou populares, não como de esquerda ou de direita, mas como los rojos e los franquistas. E o ressentimento com que o diziam mostrava que havia algo mais em causa do que as questões quentes da atualidade (a crise económica e financeira estava no seu auge e a explosão da bolha imobiliária teve um impacto considerável). Uma questão de gerações mais velhas, com os fantasmas da Guerra Civil espanhola ainda presente, pensei.