Romenos falsificavam cartões bancários

O Ministério Público acusou dois arguidos romenos por crimes de associação criminosa, contrafação de título equiparado a moeda, falsidade informática e burla informática, informou esta segunda-feira a Procuradoria Geral Distrital de Lisboa (PGDL).

Os dois arguidos encontram-se em regime de prisão preventiva e, na acusação da 3.ªseção do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa, foi requerida a aplicação de pena acessória de expulsão de território nacional.

Segundo a página da Internet da PGDL, ficou "suficientemente indiciado" que os dois arguidos se deslocaram a Portugal, em dezembro de 2011, atuando de forma organizada com outras pessoas, com a finalidade de "procederem à captação fraudulenta de elementos de identificação de cartões bancários utilizados nas caixas de ATM, para procederem à sua ulterior contrafação para o uso indevido".

Com o equipamento eletrónico que detinham, os arguidos recolhiam de forma ilícita os dados contidos nas bandas magnéticas de cartões bancários e respetivos PIN's, sem que os verdadeiros donos e utilizadores dos cartões se apercebessem. Desta forma, os arguidos instalavam nas ATM's os equipamentos para cópia dos dados das bandas magnéticas, recolhiam ocultamente os elementos copiados, e de seguida procediam à gravação em bandas magnéticas de cartões forjados. O grupo usava-os depois como meios de pagamento fraudulento, pois estes possuíam condições para serem tomados como verdadeiros cartões bancários.

A PGL explica que o equipamento eletrónico concebido pelos arguidos para captação criminosa era composto por uma calha contendo uma micro-câmara, de chapa metálica, e um aparelho que era colocado junto à ranhura de inserção dos cartões ("skimmer") que era instalado sobre as máquinas multibanco.

Os arguidos extraíram criminosamente, entre 7 de dezembro de 2011 e 12 de janeiro de 2012, dados relativos a 67 cartões bancários usados em caixas de ATM, colocando as informações em circulação para serem copiadas para cartões forjados, que eram depois utilizados como se fossem verdadeiros. Um total de 28 operações com o valor de 4.851,05 euros em levantamentos e pagamentos na República Dominicana e na Argentina.

Entre 14 e 22 de março de 2012, com o mesmo método, conseguiram dados de 35 cartões bancários, com a contrafação e utilização na Roménia e Malásia, em 88 operações no valor total de 14.318,73 euros.

Na sequência da detenção, foram apreendidos os instrumentos do crime e equipamento eletrónico. O pagamento dos montantes fraudulentamente movimentados foram suportados pelas instituições de crédito que ressarciram os seus clientes.

Exclusivos