Rio tem de acelerar os acordos de regime

Antigo líder aconselha o novo presidente do PSD a ser rápido na criação de uma alternativa e a fazer política a falar para as pessoas. Marques Mendes considerou uma imprudência e uma má escolha Elina Fraga para a direção do partido.

No dia em que Rui Rio tomou posse como presidente do partido um dos que o antecederam no cargo dá-lhe algumas dicas para o sucesso político. Para Marques Mendes se o novo líder social-democrata quer fazer acordos de regime com o governo "que os faça já", porque quanto mais próximo das eleições pior.

No seu espaço de opinião na SIC, o antigo líder do PSD e conselheiro de Estado considerou também que Rio precisa de "acelerar" a criação de uma alternativa, quando falta pouco tempo para preparar as eleições legislativas, "Não pode repetir o que fez agora - estar um mês parado e calado. Isso pode ser fatal", assegurou.

Marques Mendes aconselha ainda o presidente social-democrata a evitar ser um político de "ideias gerais" e a falar para as pessoas: os jovens, os idosos, a classe média, os trabalhadores, os empresários.

Para o comentador político o congresso que terminou este fim de semana não oficializou apenas a mudança de líder, mas é também uma mudança de ciclo no PSD. Na sua perspetiva muda o estilo, já que Rio assumiu a postura de candidato a primeiro-ministro; muda o posicionamento do partido, porque ao invés de estar acantonado à direita vira ao centro, fica mais social-democrata e com mais preocupação social; muda o discurso, que passa de estar demasiado centrado na economia para temas mais abrangentes (natalidade, segurança social, descentralização, saúde); e muda o modo de fazer oposição, que deixa de ser só contestação e passa também a ser abertura ao diálogo e aos acordos de regime.

Quanto à direção do PSD, Mendes considerou que Rio foi além das expectativas e que os nomes bons que escolheu não são novos - David Justino, Morais Sarmento, Castro Almeida) e o que é novo não é bom. Classificou a escolha de Elina Fraga, ex-bastonária da Ordem dos Advogados, para a direção nacional como uma "imprudência" que só poderá dar dores de cabeça ao líder. Não tanto pelo facto de ter sido bastonária e de ter estado contra o governo anterior, mas sobretudo pelo facto da escolha representar "uma cedência ao populismo".

Mendes analisou também o que vai mudar nos outros partidos com a liderança de Rio. Ao CDS vê a tentar "invadir" o mesmo espaço político. Já ao PCP e ao BE vão ficar "incomodados" com os acordos que Rio faça com António Costa e vão demarcar-se em várias matérias. E o PS não prevê que vá criticar muito o novo líder do PSD. "Precisa dele para acordos de regime e pode precisar dele a seguir às eleições de 2019, se não tiver maioria e uma geringonça falhar".