Rio: "Deixem-me ganhar que vão ver como as coisas são". Santana: "Cada um é livre de dizer o que pensa"

Um debate com mais espaço para os candidatos falarem das suas ideias para o país, mas com alguns ajustes de contas pessoais pelo meio.

A 48 horas das eleições para a presidência do PSD, Pedro Santana Lopes e Rui Rio fizeram para a TSF e a Antena 1 o seu último debate. Cada um continuou a tentar colar o outro a António Costa (Rio porque admite viabilizar um governo minoritário do PS; Santana por causa da Santa Casa entrar no capital do Montepio). Nenhum disse se se demite caso não ganhe as legislativas de 2019 e ambos querem dar prioridade à descentralização do Estado. Houve muito mais a dividi-los, com um Rio, que está decidido a "afastar o PCP e o BE da esfera do governo, a revelar-se, um pouco surpreendentemente, mais aberto a questões defendidas pela esquerda, como a utilização da canábis para fins medicinais e a admitir debater a questão da legalização da prostituição, matérias em que Santana se mostrou perentoriamente contra.

Em relação ao partido, Rui Rio não escondeu como pretende ligar com certos adversários, como é o caso de Miguel Relvas, que se demitiu do governo de Passos Coelho, depois de se ter sabido que a sua licenciatura era irregular. Referindo-a à entrevista que este apoiante de Santana Lopes deu esta quinta-feira ao Público e à Renascença (na qual diz que o próximo líder do PSD é para dois anos), Rio criticou o tipo de "clima" criado "por certas pessoas". "Estas coisas vão acabar com o partido. Tanto eu como o Pedro (Santana Lopes) estamos aqui pelo país, não por coisas pequeninas", assinalou. "Deixem-me ganhar o partido e vão ver como as coisas são. Este clima tem que acabar", avisou.

Santana, sublinhou que Relvas é só seu "apoiante, mas não votante", discordou, embora admitisse que a intervenção de Relvas não tivesse sido "adequada". No entanto, frisou, "cada um é livre de dizer o que pensa e eu não tenho medo de opiniões". Minutos antes, Santana tinha também discordado das críticas de Rio a Luís Filipe Menezes. Rui Rio recordou os motivos porque não o tinha apoiado na candidatura ao Porto - "Ele tinha deixado Gaia em pior estado do que Sócrates deixou o país, tinha feito precisamente o contrário do que eu tinha feito no Porto. Por uma questão de dignidade, nunca o poderia apoiar" - mas Santana, tal como em relação a outros temas quis manter-se colado à posição oficial da direção do Partido. "É de mau tom falar das dívidas dos outros. Não é aceitável apoiar um candidato independente (Rui Moreira) contra o partido", sublinhou Pedro Santana Lopes. Ainda sobre as autárquicas, mas as de 2017, Santana revelou não ter "peso na consciência" em relação aos resultados do partido, designadamente em Lisboa. "Eu avisei a direção do partido, eles é que não quiseram perceber", afirmou.

Em relação a ideias de governação, a revisão da Constituição é algo que ambos veem como inevitável, tendo em conta a as reforças que pretendem executar no país, mas nenhum quer fazer disso uma prioridade. "Primeiro direi quais são os objetivos, depois se verá a necessidade de ter de ajustar num ou noutro ponto. Mas é quase impossível não rever a constituição se quisermos avançar com reforças profundas", garantiu Rui Rio. "Gostaria de ter uma constituição menos ideológica, mas a sua revisão não está nas minhas prioridades mais próximas. Não quero enquistar o debate logo à partida", admitiu Santana.

Questionados sobre o Presidente da República era o "seguro de vida do governo", ambos concordaram que se, no início, havia mais apoio a António Costa para "garantir a estabilidade necessária ao país", agora, apesar da solidariedade institucional que "deve sempre existir", já não era assim. Enquanto Santana garantiu já o apoio a Marcelo Rebelo de Sousa, caso se recandidate a Belém, já Rui Rio não foi tão claro. "Se fosse amanhã, digo já que apoiava, mas estamos a falar de eleições em 2020 e, nessa altura, até pode já ser outro líder do PSD a decidir", afirmou. Além disso, frisou Rio, "não vou dizer que apoio, só porque isso é mais popular".

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