Ricardo Salgado fica em liberdade mas não pode contactar Sócrates

Ex-banqueiro fica proibido de sair do país e contactar os outros arguidos

Ricardo Salgado foi, esta quarta-feira, constituído arguido na Operação Marquês e o juiz Carlos Alexandre, do Tribunal Central de Instrução Criminal, determinou que o antigo líder do BES não poderá sair do país nem entrar em contacto com os restantes arguidos do caso, incluindo José Sócrates.

À saída do tribunal, Ricardo Salgado disse estar surpreendido por ter sido chamado e que está disponível para colaborar com a justiça. "Não deixei de ser surpreendido, mas é claro que é assim. A justiça tem o direito de investigar tudo e nós cá estamos para corresponder", disse o banqueiro.

"O arguido foi indiciado por factos suscetíveis de integrarem os crimes de corrupção, abuso de confianças, tráfico de influência, branqueamento e fraude fiscal qualificada", segundo um comunicado da Procuradoria-geral da República.

À saída do Tribunal Central de Instrução Criminal, o advogado de Ricardo Salgado mostrou-se igualmente surpreendido com o envolvimento do seu cliente neste processo.

"Do ponto de vista do que está aqui em causa não nos surpreende estarmos na 'Operação Marquês', porque lemos as notícias. Mas surpreende bastante do ponto de vista dos factos e das provas que o doutor Ricardo Salgado esteja na 'Operação Marquês', porque, efetivamente, como todos têm percebido, as teses da investigação neste processo atropelam-se uma à outra", afirmou aos jornalistas o seu defensor, Francisco Proença de Carvalho.

Salgado foi interrogado no Departamento Central de Investigação e Ação Penal esta tarde, tendo o interrogatório terminado cerca das 17:20, hora a que o ex-presidente saiu das instalações do DCIAP.

O antigo líder do BES foi depois encaminhado para o Tribunal Central de Instrução Criminal, para ser ouvido pelo juiz Carlos Alexandre com vista à determinação da medida de coação a aplicar.

O Ministério Público, segundo comunicado às redações, pediu para Ricardo Salgado "medida de coação diversa do termo de identidade e residência", a medida mais leve prevista para arguidos em processos-crime.

Ricardo Salgado esteve sempre acompanhado pelo seu advogado Francisco Proença de Carvalho.

O Ministério Público tem suspeitas relativamente a dinheiro encontrados nas contas de Carlos Santos Silva, amigo do antigo primeiro-ministro. Suspeita-se que grande parte desse dinheiro, mais de 17 milhões de euros, tenha tido origem em sociedade com ligações ao grupo Espírito Santo.

Ricardo Salgado, arguido noutros processos, foi interrogado pelo procurador Rosário Teixeira e pelo inspetor da Autoridade Tributária Paulo Silva.

O processo Operação Marquês conta com 19 arguidos, entre os quais o antigo primeiro-ministro socialista José Sócrates, que esteve preso preventivamente mais de nove meses, e que está indiciado por fraude fiscal qualificada, branqueamento de capitais e corrupção passiva para ato ilícito.

Entre os arguidos contam-se o ex-ministro socialista Armando Vara e a filha, Carlos Santos Silva, empresário e amigo do ex-primeiro-ministro, Joaquim Barroca, empresário do grupo Lena, João Perna, antigo motorista do ex-líder do PS, Paulo Lalanda de Castro, do grupo Octapharma, Inês do Rosário, mulher de Carlos Santos Silva, o advogado Gonçalo Trindade Ferreira e os empresários Diogo Gaspar Ferreira e Rui Mão de Ferro.

A conclusão da investigação da "Operação Marquês" ficou agendada para março de 2017, depois de em setembro a PGR ter concedido mais 180 dias (seis meses) para a "realização de todas as diligências de investigação consideradas imprescindíveis".

Com Lusa

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