Réplicas de maiorias de esquerda nas autarquias

Para ter uma maioria de esquerda em Lisboa, basta Medina juntar os seus oito mandatos aos dois do PCP ou ao do BE

Com o PS a deixar claro que os resultados eleitorais, mais precisamente a perda de câmaras por parte do PCP para os socialistas, não iam influenciar o equilíbrio de forças na maioria parlamentar de esquerda, certos setores comunistas entendem que pode haver abertura para entendimentos em autarquias onde nem PS nem PCP conseguiram a maioria. Logo à primeira vista está o caso de Lisboa. Fernando Medina conseguiu ganhar oito dos 17 mandatos (42,02% dos votos) e para ver aprovados os seus projetos por maioria de votos terá de conseguir, pelo menos, o apoio de mais um vereador. Tendo em conta a posição dos dirigentes nacionais do partido, está para já descartada a possibilidade de um acordo à direita, apesar de o CDS ter eleito quatro vereadores, sendo agora o maior partido da oposição em Lisboa. Ricardo Robles, do BE, e João Ferreira do PCP são por isso os mais prováveis.

Em Loures, a equação surge no sentido contrário. É o PCP, que elegeu Bernardino Soares sem maioria, que precisa de aliados. O PS elegeu os mesmos quatro vereadores, tal como o PCP, a a cabeça de lista socialista, Sónia Paixão, já veio dizer que "no que depender do PS a governabilidade em Loures nunca estará em causa". No entanto, há quem lembre que no PCP estes "entendimentos" não estão dependentes de orientações superiores, mas muito mais das dinâmicas locais, das pessoas e da avaliação que se faz sobre acordos pontuais. Em Loures, recorde-se, o PCP teve do seu lado o vereador do PSD, o que neste mandato, com André Ventura, será complicado.

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