Religiões têm o direito e o dever de se pronunciar, diz patriarca

Cardeal patriarca de Lisboa pede às comunidades religiosas que se posicionem sobre esta matéria e aos deputados que tenham em conta as posições das igrejas e de outras comunidades científicas

O cardeal patriarca de Lisboa defendeu esta tarde na Academia das Ciências de Lisboa que a eutanásia é "uma temática humana", como tal todas as confissões religiosas devem posicionar-se sobre o assunto, lançando também um apelo aos deputados da Assembleia da República, para que antes de votarem no dia 29 os projetos de lei que estão em cima da mesa sobre a morte assistida, tenham em conta a posição das igrejas e de outras entidades cientificas, como do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida e da Ordem dos Médicos.

O patriarca, que falava aos jornalistas à margem da conferência "Cuidar até ao fim com compaixão", organizada pelo Grupo de Trabalho Inter-Religioso para as questões da saúde, que integra as oito comunidades religiosas representadas em Portugal, referiu que se vive um momento histórico, ou melhor, "um momento significativo", pelo que iniciativas como esta que levaram à assinatura de uma declaração conjunta contra a eutanásia "é de louvar". "Saúdo esta iniciativa porque todos nós nos encontrámos no essencial", disse, e quando, sublinhou, "se fala de vida há muito a fazer".

D. Manuel Clemente alertava para o facto de que a vida, à luz das religiões, "é uma convivência, e sendo uma convivência quer viver." Por isso, argumentou, que "a sociedade como um todo tem que acautelar a vida quando esta está em perigo." O patriarca na conversa com os jornalistas defendeu ainda "ser muito importante que as pessoas que querem acompanhar os seus doentes em final de vida o possam fazer", numa alusão à importância de uma rede eficaz e de acesso universal aos cuidados paliativos. Ideia, aliás, que anteriormente tinha sido defendida por outros oradores durante a sessão que reuniu católicos, judeus, ortodoxos, muçulmanos, hindus, budistas, evangélicos e adventistas à mesma mesa e na assinatura de uma declaração contra a eutanásia em qualquer uma das suas formas.

Ler mais

Adolfo Mesquita Nunes

Premium Derrotar Le Pen

Marine Le Pen não cativou mais de dez milhões de franceses, nem alguns milhões mais pela Europa fora, por ter sido estrela de conferências ou por ser visita das elites intelectuais, sociais ou económicas. Pelo contrário, Le Pen seduz milhões de pessoas por ter sido excluída desse mundo: é nesse pressuposto, com essa medalha, que consegue chegar a todos aqueles que, na sequência de uma crise internacional e na vertigem de uma nova economia digital, se sentem excluídos, a ficar para trás, sem oportunidades.

João Taborda da Gama

Premium Temos tempo

Achamos que temos tempo mas tempo é a única coisa que não temos. E o tempo muda a relação que temos com o tempo. Começamos por não querer dormir, passamos a só querer dormir, e por fim a não conseguir dormir ou simplesmente a não dormir, antes de passarmos o resto do tempo a dormir, a dormir com os peixes. A última fase pode conjugar noites claras e tardes escuras, longas sestas de dia com um dormitar de noite. Disse-me um dia o meu barbeiro que os velhotes passam a noite acordados para não morrerem de noite, e se ele disse é porque é.