Reitores querem incentivos para professores no interior

A criação de incentivos para que os professores possam circular entre instituições do litoral e do interior é uma das propostas de um estudo europeu que o Conselho de Reitores quer pôr em prática.

A recomendação foi feita por peritos da European University Association (EUA) que, em 2011, foram convidados pelo Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) a realizar um estudo sobre a rede do ensino superior português.

As conclusões dessa avaliação foram hoje apresentadas em Lisboa, com a divulgação do relatório "Ensino Superior Português: uma visão do exterior" e das 40 recomendações destinadas a melhorar a qualidade do ensino.

"Criar incentivos destinados a promover a mobilidade de pessoal docente e não docente do litoral para o interior" é uma das recomendações que o CRUP pretende seguir.

"A ideia é que as pessoas sejam estimuladas, para se poderem deslocar", resumiu o presidente do CRUP, António Rendas, à margem da apresentação e discussão do relatório, que decorre durante o dia de hoje no Conselho Nacional de Educação (CNE).

O representante dos reitores acredita que tal proposta será exequível, através da criação de programas plurianuais e do estabelecimento de uma estratégia regional de mobilidade dos docentes.

António Rendas acredita que as recomendações feitas pelos peritos da EUA serão aplicadas no terreno: "Vamos concretizá-las mesmo", disse o presidente do CRUP, em declarações aos jornalistas.

As propostas dos especialistas da EUA foram pensadas para ser aplicadas num país em crescimento económico. O CRUP espera que a negociação do próximo quadro comunitário possibilite a concretização de algumas das propostas, hoje discutidas em Lisboa.

O aumento de financiamento do ensino superior é uma das principais recomendações dos peritos europeus, que defendem ainda que os orçamentos das instituições devem ser separados, para as universidades e politécnicos.

A intensificação das relações entre politécnicos e universidades e o fim do sistema de "numerus clausus", como existe atualmente, são outras propostas dos investigadores que concluíram ainda que, no caso das fundações e das fusões, a autonomia "deve ser mantida e reforçada".

Para os especialistas, a autonomia prevista no Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior, que deveria ser agora revista, deve ser mantida por mais cinco anos.

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