Reis de Espanha em Lisboa. Felipe VI sublinha "amizade indestrutível"

Felipe VI e Letizia receberam esta terça-feira a Chave de Honra da cidade de Lisboa

A meia hora de atraso não demoveu os lisboetas que hoje foram até à Praça do Município para ver os reis de Espanha. Foram poucas centenas que assistiram ao hino de Espanha e Portugal tocados pela banda da GNR e à revista à Guarda de Honra feita por Felipe VI. Foi o momento público da receção aos monarcas nos Paços do Conselho, brindados pelo público com uma ovação antes de entrarem no edifício.

Já no interior, num breve discurso, Felipe VI destacou a "secular relação de proximidade e boa vizinhança" entre Portugal e Espanha, que tem na cidade de Lisboa um "exemplo tangível e permanente". Foi assim "em tempos difíceis para as duas nações" e foi-o também para a própria família real espanhola, sublinhou o monarca (Juan Carlos, pai do atual rei, esteve exilado em Portugal durante a ditadura de Franco). Uma "amizade indestrutível" já testemunhada, no mesmo Salão Nobre dos Paços do Conselho, quer por Juan Carlos, quer pelo bisavô Alfonso XIII, em 1903, sublinhou Felipe VI.

Também resultado dessa ligação, o monarca referiu que a capital portuguesa é hoje - e "sem surpresa" - um destino preferencial de cada vez mais espanhóis, que chegam em busca dos "atrativos culturais, históricos, arquitetónicos e gastronómicos da cidade".

Num discurso em que as frases de abertura foram proferidas em português, o rei de Espanha destacou - como já tinha feito no Porto - as "grandes transformações" da cidade nos últimos anos e que têm contribuído para que Lisboa se consolide como uma "grande capital europeia, aberta e cosmopolita". E apontou a Web Summit, que se realizou há poucas semanas, como o exemplo de uma Lisboa "moderna, inovadora e competitiva".

Já o presidente da Câmara, Fernando Medina, defendeu que os dois países devem "caminhar em conjunto na reconstrução do projeto europeu" através de uma "agenda reformista que responda às consequências da crise financeira, às assimetrias geradas pela moeda única, ao imperativo civilizacional de salvar os refugiados". O autarca lisboeta considerou que Portugal e Espanha têm um "papel central" no debate que se trava atualmente entre a "abertura e o fechamento, entre a tolerância e o ostracismo" porque "melhor do que outros entendem o valor da abertura, da tolerância e do cosmopolitismo". "Na história fomos grandes quando nos abrimos e caímos quando nos fechámos", afirmou Medina, que deixou "uma palavra particular de reconhecimento" a Felipe VI pelo "cuidado e afeto que tem colocado na relação com o Portugal".

Durante a visita aos Paços do Concelho, os reis de Espanha receberam, das mãos de alunos da escola básica Adriano Correia de Oliveira, dos Olivais, quatro trabalhos feitos pelos próprios alunos. A autarquia ofereceu aos monarcas espanhóis uma réplica em bronze da estátua equestre de D. José I (que está no centro do Terreiro do Paço).

Na cerimónia, que terminou com dois fados cantados por Cuca Roseta, Felipe VI e Letizia assinaram o Livro de Honra e receberam a Chave de Honra da cidade. À noite, os reis de Espanha jantam no Palácio das Necessidades, a convite do primeiro-ministro, António Costa.

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