Reformados e desempregados mantêm números dos sindicatos

Numa década, a classe dos professores perdeu quase 40 mil pessoas, quebra que não foi sentida na mesma dimensão nos sindicatos

São a maior classe profissional em Portugal e quase metade são sindicalizados. Apesar de estarem em queda - entre 2004 e 2014 perderam 39 222 elementos -, isso não se refletiu no peso que ainda têm nos sindicatos que os representam. Se a profissão sofreu "uma quebra de 25 a 26% devido ao desemprego", a Fenprof ficou-se por uma redução na ordem dos "8 a 10%", aponta Luís Lobo, do secretariado nacional da Federação Nacional dos Professores (Fenprof). O que permite à federação, que hoje começa o seu 12.º congresso, manter-se como a mais representativa da classe, mas mais perto da segunda força - a Federação Nacional da Educação (FNE). As duas referem ao DN ter "perto de 50 mil associados". O universo total de professores do pré-escolar ao secundário é de 141 250 (dados de 2014, os mais atuais).

No entanto, entre os atuais sindicalizados estão ainda muitos reformados e desempregados, já que "sentem que continuamos a defender as suas causas", aponta Luís Lobo. A mesma sensação tem João Dias da Silva, secretário-geral da FNE, que acrescenta: "Às vezes recebemos cartas de pessoas a desvincularem-se mas justificam que só o fazem porque estão desempregadas e já não conseguem pagar a quota."

O sindicalista lembra que as federações "mantêm um trabalho de defesa quer dos reformados quer dos desempregados", daí a quebra ser inferior à dos profissionais no ativo. Depois, nos picos de discordância política naturalmente há uma corrida aos sindicatos. "Há momentos", reconhece Dias da Silva, que lidera a federação afeta à UGT, com ligações ao PS.

Para a Fenprof um desses momentos parece estar a ser o atual, desde que o governo tomou posse. Afeta à CGTP e por sua vez ligada ao PCP, a Fenprof é reconhecidamente a linha mais dura da luta sindical dos professores. Mas tem registado "uma manutenção contínua de inscrições apesar da tomada de posse deste governo. Se calhar por causa da incerteza que ainda é o governo", arrisca Luís Lobo. "Não temos registado saída de pessoas, pelo contrário".

Apesar do tom com o atual governo ser até agora mais calmo e de os sindicatos estarem a receber alguns bombons, como foi o fim da requalificação dos professores, da prova de acesso à profissão e da Bolsa de Contratação de Professores. Tudo reivindicações que vinham do tempo do governo PSD/CDS-PP.

Um estudo de 2013 sobre sindicalismo nos professores mostrava que estes procuravam a representação sindical pela "defesa e promoção de interesses laborais". De facto, foi nos momentos em que as suas carreiras sofreram mais alterações que os sindicatos mostraram a sua força. Fizeram duas manifestações com dimensões nunca vistas: 120 e 100 mil pessoas em cada uma delas, em 2008. Uma greve aos exames e às correções das provas, em 2013, que levou milhares alunos a ter de repetir a prova de Português e o governo a recuar sob pena de não ter notas afixadas a tempo do concurso para o ensino superior.

Amanhã, a Fenprof vai a votos e para já apenas foi apresentada a lista que propõe a reeleição de Mário Nogueira. Paulo Sucena, secretário-geral antes de Mário Nogueira, acredita que a federação "continuará a desempenhar um papel fundamental na defesa da escola pública de qualidade e da dignidade da profissão docente".

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