Recorde de transplantes com cada vez mais doações em vida

Mais órgãos colhidos, com 895 procedimentos. Transplantes de rins são os mais comuns e doações em vida subiram 71% em cinco anos. Eduardo Barroso diz que podem aumentar

Um total de 1011 órgãos colhidos e 895 transplantes realizados, com 351 dadores falecidos e 79 vivos. Estes últimos sobretudo doadores de rins. Foram estes números, apresentados ontem no relatório da Coordenação Nacional da Transplantação, que fizeram de 2017 um ano recordista nesta área.

Eduardo Barroso, diretor do Serviço de Cirurgia Geral e Unidade de Transplantação e do Centro Hepato-Bilio-Pancreático e Transplantação do Hospital Curry Cabral, lembra que nem todos os indicadores evoluíram no mesmo sentido. "Neste ano [ de 2017] fizeram-se menos transplantes de fígado em Portugal, porque houve menos dadores", lembra. No entanto, acrescenta, "estamos muito bem a nível de dadores por milhão de habitantes e de transplantes também muito bem".

Um dos indicadores que mais têm evoluído ao longo dos anos é o das doações em vida. As 79 doações do ano passado (77 de rim e duas de fígado) representam um aumento de 71% no espaço de cinco anos e de 18,5% em relação a 2016. "Houve um trabalho há uns anos da Sociedade Portuguesa de transplantação e dos centros de aumentarem, também com o apoio d da imprensa, a doação em vida", recorda o cirurgião ao DN. "Sobretudo em relação ao rim".

"Não é perigoso para dadores"

Ainda assim, sobretudo em relação aos rins, defende que há ainda muito trabalho a fazer. "Devíamos fazer dez vezes mais transplantes", considera, lembrando que no caso destes órgãos excretores, que temos em duplicado, "o procedimento não é perigoso para os dadores", que têm "uma sobrevida média igual à dos não-dadores".

Eduardo Barroso lembra que, atualmente, esta cirurgia já pode ser feita "de dador vivo não aparentado". E mesmo frisando que é preciso manter uma vigilância apertada nesses casos, "para garantir que não existem interesses económicos associados e que é uma doação verdadeiramente altruísta", considera que este gesto deve ser cada vez mais incentivado: "Podíamos tirar muitos doentes da diálise, com qualidade de vida, se aumentassem os dadores".

AVC geram maioria das doações

Do total de 895 órgãos transplantados em 2017, o rim foi de longe o mais comum, num total de 529 procedimentos. Seguiram-se o transplante hepático (259), o cardíaco ( 47) - o vencedor do festival Eurovisão da Canção, Salvador Sobral, é o mais conhecido dos beneficiários - , 34 transplantes pulmonares e 26 transplantações pancreáticas.

Entre os dadores mortos, a causa do óbito foi médica em 80% dos casos, sobretudo na sequência de acidentes vasculares cerebrais, e traumática em 20% das situações.

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