Costa fez "bluff" e quer ser "primeiro-ministro à força"

Paulo Rangel alerta para "sedução" que pode fazer do PS o "partido do bota-abaixo". Mas ainda "há socialistas com bom senso"

O eurodeputado Paulo Rangel juntou-se esta tarde aos dirigentes do Partido Popular Europeu nas críticas à coligação que a esquerda está a preparar em Portugal. À margem do congresso da família europeia de PSD e CDS, que decorre em Madrid, o eurodeputado alertou que "as contradições entre PS e PCP e Bloco estão vivas, não estão apagadas".

À semelhança do que disse esta manhã o presidente do PPE, Joseph Daul, Paulo Rangel denunciou que "o mesmo PCP que diz que abdica da saída da UE e do Euro, apresenta uma proposta em Bruxelas para tirar Portugal do euro. O PS e o PCP têm de explicar isto, porque não se trata de algo dito em campanha eleitoral. São medidas pragmáticas que o PCP apresentou já depois das eleições".

O pedido dos comunistas em Bruxelas, para que haja no Orçamento comunitário verbas de ajuda a países que abandonem a zona euro, é para Rangel a prova que "o PCP não deixou cair, nem sequer pôs entre parênteses" a saída da moeda única.

Para Rangel "é normal e ninguém está à espera que PCP e Bloco viabilizem um governo da coligação, mas o PS tem essa responsabilidade e vai ter que decidir se é ou não o partido do bota-abaixo". O eurodeputado defende que o PS "tem de ter sentido de Estado", o que considera que o secretário-geral socialista, António Costa, não teve até agora.

O eurodeputado acusa mesmo Costa de ter feito "bluff com a coligação" sem nunca ter estado realmente interessado em negociar. Rangel considera o líder socialista irresponsaáel, dizendo que "António Costa quer ser primeiro-ministro à força, mesmo que isso signifique aliar-se com um partido que defende a saída do euro". O social-democrata diz, no entanto, que "felizmente há muitos dirigentes socialistas que estão contra esta opção de sedução junto da esquerda radical. Há vários socialistas com bom senso".

Paulo Rangel concorre amanhã para a vice-presidência do PPE e embora não queira fazer prognósticos antes da votação ("nunca falo antes do tempo"), diz estar "confiante" quanto à sua eleição.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Anselmo Crespo

No PSD não há inocentes

Há coisas na vida que custam a ultrapassar. A morte de alguém que nos é querido. Uma separação que nos parece contranatura. Ou uma adição que nos atirou ao charco e da qual demoramos a recuperar. Ao PSD parece terem acontecido as três coisas em simultâneo: a morte - prematura para os sociais democratas - de um governo, imposta pela esquerda; a separação forçada de Pedro Passos Coelho; e uma adição pelo poder que dá a pior das ressacas em política.