Rangel: "Se o PS não se governa a si mesmo, como há de governar o país?"

Eurodeputado do PSD aproveita notícia da falência do PS para enviar farpa ao governo

O eurodeputado Paulo Rangel disse esta manhã, numa aula na Universidade de Verão do PSD, em Castelo de Vide, que "António Costa é o David Cameron português porque também foi um político que renegou os seus princípios para salvar a sua pele". Os jovens alunos aplaudiram de seguida, como num comício.

Em várias farpas ao PS, Paulo Rangel comentou ainda a manchete de hoje do Jornal de Notícias que aponta que o PS está na falência, questionando: "Pois se o PS não se governa a si mesmo, como há-de governar o país?"

Ao longo da intervenção, o eurodeputado fez um paralelismo da decisão que Costa tomou ao fazer a coligação de esquerda com a decisão de Cameron a convocar um referendo. "Ambos traíram as suas convicções para garantir a sobrevivência política", atirou. Rangel disse mesmo que Costa estava "entre a espada e a parede e escolheu a parede. E agora qual é o futuro do país? Uma parede".

Rangel vaticinou que, tal como o referendo ao Brexit foi a morte política de David Cameron, a solução de criar a "geringonça" vai ser a morte política de António Costa.

O eurodeputado lançou também duras críticas à estratégia macroeconómica e aos resultados do governo, acusando António Costa de estar "em 2016, a repetir a receita de José Sócrates". Paulo Rangel arrasou os números do executivo socialista, apontando que "o crescimento é miserável, o investimento cai a pique e as exportações descem". E acrescentou: "falhou completamente a receita de António Costa e dos seus parceiros populistas".

O antigo líder parlamentar do PSD não tem dúvidas de que com este governo "Portugal está em perda profunda de credibilidade" externa, estando o país novamente "colado à Grécia". O social-democrata afirmou ainda que António Costa traiu o PS ao "fazer um pacto com dois partidos profundamente populistas, o PCP e o Bloco de Esquerda", que voltou a definir como "anti-democráticos e anti-europeus".

Muito crítico sobre o comportamento dos políticos britânicos no Brexit, Rangel afirmou que "Boris Johnson e David Cameron trataram o Reino Unido como se fosse uma Associação de Estudantes, para ver quem era o presidente da associação". O também vice-presidente do Partido Popular Europeu (partido europeu da família do PSD) define mesmo o Brexit como uma "tragédia shakesperiana", mas aponta a discussão na sociedade portuguesa sobre a saída do Reino Unido da UE como "um deslumbramento provinciano igual ao que existia com Paris" e que está retratado n'Os Maias.

Rangel, na edição do ano passado, tinha dito que o ar democrático em 2015 era mais respirável e que quando o PS estava no poder a justiça era menos livre. Questionado pelos alunos sobre se se notava essa realidade no governo de Costa, Rangel admitiu que hoje não há um "ambiente de claustrofobia democrática", mas alertou que é preciso estar vigilante, até porque "são conhecidos os tiques autocráticos do primeiro-ministro".

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