"Queremos chegar às 10 mil viagens/dia"

O vereador da mobilidade, Miguel Feliciano Gaspar, fala no investimento da autarquia em ciclovias. Objetivo é que lisboetas usem mais a bicicleta

Qual é a estratégia da autarquia em relação às ciclovias?

Além das ciclovias associadas aos trilhos de lazer, de espaços verdes, o nosso foco tem sido, de facto, a melhoria das ciclovias para as deslocações quotidianas. Neste momento temos já perto 90 quilómetros de ciclovia e queremos ter de 200 até ao final deste mandato [em 2021]. Vamos ter todo o tipo de ciclovia, quer as exclusivas quer as vias partilhadas, como a da Guerra Junqueiro. Vamos terminar projetos já iniciados, como os da freguesia do Areeiro, toda a ligação da Rovisco Pais até à estação de comboio Roma-Areeiro, cujo concurso público esperamos abrir em breve. Depois na rua Professor Lima Bastos até Sete Rios, a zona de Alvalade ou a Avenida Gago Coutinho, especificamente entre o Relógio e a Avenida dos EUA. Estamos a reforçar as equipas de trabalho da Câmara Municipal de Lisboa para conseguirmos ter um pipeline de projeto. Estamos a cumprir o plano de rede ciclável que está online, não estamos a criar nada de novo.

Existe alguma meta para o uso de bicicleta?

Ainda não temos esse número, o uso da bicicleta era quase zero. Havia até o tabu de que não dava para andar de bicicleta em Lisboa por causa das colinas. Temos a ambição de subir e esperamos que o sistema GIRA ajude. Neste momento, já temos 4000 viagens por dia, quando o sistema estiver completo queremos que seja 10 mil. O objetivo da rede partilhada é que as pessoas descubram que até conseguem usar e depois possam usar a sua própria bicicleta. À medida que a gente melhore as infraestruturas é normal que cada vez mais pessoas venham a usar a bicicleta.

Como é que a GIRA pode ajudar a tornar a cidade mais ciclável?

Neste momento temos um número interessante, 8700 pessoas que já compraram o passe anual, que compara com 900 que compraram mensal. Todas estas pessoas sabem andar e querem experimentar. É um sistema prático e cómodo. Depois é esperar que as pessoas pensem em usar a sua bicicleta, mas para isso é preciso mais estacionamentos para que as pessoas as tenham na rua. É todo um processo de crescimento.

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