Quercus contesta exploração mineira de ouro

A associação ambientalista Quercus contestou judicialmente a exploração mineira de ouro da Boa Fé, na Serra do Monfurado, no concelho de Évora, por afetar montado de sobro e a Rede Natura 2000.

Em comunicado hoje divulgado, a associação ambientalista refere que interpôs uma Ação Popular para impugnar a Declaração de Impacte Ambiental do projeto de exploração mineira da Boa Fé, que abrange uma área de quase 100 hectares, perto da localidade de Boa Fé, no concelho de Évora.

O objetivo desta ação judicial, segundo o comunicado, é o de "impedir o avanço da mineração em habitats protegidos do Sítio de Importância Comunitária 'Serra do Monfurado', da Rede Natura 2000, onde se incluem importantes povoamentos de sobreiros".

A associação ambientalista lembra que o Estudo de Impacte Ambiental esteve em consulta pública até 16 de abril de 2013, tendo na altura a Quercus, em conjunto com outras organizações, manifestado "a sua oposição à instalação deste complexo de exploração de depósitos mineralizados auríferos por este apresentar elevados riscos ambientais para a região"

A Quercus reitera que "as incertezas nas flutuações da cotação do ouro nos mercados internacionais e a falta de garantia da assunção dos riscos e custos associados à implementação de todas as medidas previstas para a futura requalificação da área, demonstram que se trata de uma iniciativa arriscada que só poderá vir a trazer mais custos para os contribuintes num futuro próximo".

Este projeto, de acordo com a Quercus, é promovido pela Aurmont Resources e prevê a instalação de uma indústria de exploração mineira, com duas cortas de exploração a céu aberto, Casas Novas e Chaminé, a laborar 24 horas por dia, e ocupando no total 99,56 hectares, dos quais uma escombreira de estéreis com 37 hectares, para acondicionar 10,8 milhões de toneladas de estéreis.

A associação ambientalista indica ainda que o projeto inclui também uma barragem de rejeitados com 32 hectares, utilizada para reter 10 mil toneladas de metais pesados, nomeadamente arsénio, chumbo, cobre, mercúrio inorgânico, níquel, prata e zinco, resultantes dos cinco anos previstos para a laboração.

A Quercus considera que este é um processo que "desde o seu início tem uma agenda de contornos duvidosos", em que os municípios de Évora e de Montemor-o-Novo e o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) "facilitaram as aspirações do proponente".

Para o efeito, acrescenta o comunicado, "alteraram os planos diretores municipais e o Plano de Intervenção no Espaço Rural do Sítio de Monfurado, com o único objetivo de favorecer a concessão da atividade mineira numa área em que a mesma estava interdita legalmente".

Relativamente aos riscos ambientais associados ao projeto, a Quercus denuncia, entre outras situações, que vão ser "destruídas" áreas de montado de sobreiros e azinheiras, estando previsto "o abate de 6.952 árvores adultas".

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