Quatro acusados de ter enganado um banco em 6 milhões de euros

Os arguidos são o gerente bancário de um balcão em Santa Maria da Feira e três pessoas que lhe angariavam clientes

O Ministério Público (MP) de Santa Maria da Feira acusou quatro arguidos, incluindo um gerente bancário, de dezenas de crimes de burla e de falsificação de documentos para obtenção de créditos bancários, anunciou a Procuradoria-Geral Distrital (PGD) do Porto.

Em nota divulgada no seu sítio da Internet, a PGD do Porto refere que os factos ocorreram em 2009 e 2010 e centraram-se no balcão de Santa Maria da Feira de uma entidade bancária, que terá sido lesada em pelo menos seis milhões de euros.

Os arguidos são o gerente bancário do referido balcão e três pessoas que lhe angariavam clientes.

Segundo o MP, o gerente bancário "concedeu crédito a empresas, aproveitando os poderes que a gerência do balcão lhe facultava, violando as normas e regulamentos internos da entidade bancária para a concessão de crédito, subdividindo, inclusive, os empréstimos em vários montante parcelares de modo a evitar o controlo hierárquico a que estava sujeito".

"A maioria dos empréstimos foi concedido a empresas constituídas na hora, pouco tempo após a constituição, grande parte das quais não teve sequer atividade económica nos anos de 2009 e 2010", refere a mesma nota.

De acordo com a investigação, "uma parte considerável" do valor do empréstimo que era creditado nas contas das empresas que pediam os empréstimos era transferida para contas bancárias pertencentes ao universo dos arguidos.

Com esta atividade, segundo a acusação, os arguidos apropriaram-se de mais de 1,4 milhões de euros.

Os arguidos estão acusados de 59 crimes de fraude para obtenção de crédito, 59 crimes de burla qualificada, 59 crimes de falsificação de documentos, um crime de associação criminosa e outro de branqueamento de capitais. A um dos arguidos está ainda imputada a prática de dois crimes de detenção de arma proibida.

Após investigação patrimonial e financeira, o MP pediu também a condenação dos arguidos a pagar ao Estado o montante correspondente ao valor do património incongruente com o rendimento lícito que apresentaram e requereu, para garantia de tal pagamento, o arresto dos bens que constituíam o seu património.

Ler mais

Premium

Rosália Amorim

"Sem emoção não há uma boa relação"

A frase calorosa é do primeiro-ministro António Costa, na visita oficial a Angola. Foi recebido com pompa e circunstância, por oito ministros e pelo governador do banco central e com honras de parada militar. Em África a simbologia desta grande receção foi marcante e é verdadeiramente importante. Angola demonstrou, para dentro e para fora, que Portugal continua a ser um parceiro importante. Ontem, o encontro previsto com João Lourenço foi igualmente simbólico e relevante para o futuro desta aliança estratégica.

Premium

João Gobern

Tirar a nódoa

São poucas as "fugas", poucos os desvios à honestidade intelectual que irritem mais do que a apropriação do alheio em conluio com a apresentação do mesmo com outra "assinatura". É vulgarmente referido como plágio e, em muitos casos, serve para disfarçar a preguiça, para fintar a falta de inspiração (ou "bloqueio", se preferirem), para funcionar como via rápida para um destino em que parece não importar o património alheio. No meio jornalístico, tive a sorte de me deparar com poucos casos dessa prática repulsiva - e alguns deles até apresentavam atenuantes profundas. Mas também tive o azar de me cruzar, por alguns meses, tempo ainda assim demasiado, com um diretor que tinha amealhado créditos ao publicar como sua uma tese universitária, revertido para (longo) artigo de jornal. A tese e a história "passaram", o diretor foi ficando. Até hoje, porque muitos desconhecem essa nódoa e outros preferiram olhar para o lado enquanto o promoviam.