"Quando escreve para um jornal, Victor Hugo quer falar com um povo"

Ministra da Justiça destaca reconhecimento prestado pelo escritor francês a Portugal, quando aboliu a pena de morte

"Victor Hugo quis prestar uma homenagem a Portugal. Quando escreve para um jornal ele quer falar com um povo, quer dizer-lhes do seu reconhecimento pela coragem que isso implicou e, sobretudo, pela mudança de paradigma que a partir desse momento se conseguiu introduzir". As palavras são de Francisca Van Dunem, ministra da justiça, sobre a carta que o célebre escritor francês, Victor Hugo, escreveu ao Diário de Notícias e ao seu fundador Eduardo Coelho um dia depois de Portugal ter abolido a pena de morte.

Tornou-se assim o primeiro país da Europa a fazê-lo. E momento foi devidamente assinalado. "Victor Hugo, que na altura estava em situação de exílio e era um abolicionista ferrenho, ficou profundamente empolgado com a circunstância deste pequeno país ter conseguido aprovar a abolição da pena de morte. Nessa altura escreveu, não só, a amigos dele que estavam nas cortes, que eram deputados como também escreveu esta carta ao Diário de Notícias congratulando-se pela circunstância de Portugal ter abolido a pena de morte. Naquilo que para ele era um processo de grande esperança e uma grande vitória do abolicionismo", disse a ministra, que participou nas celebrações que decorreram ontem no Centro Cultural de Belém (ver texto ao lado).

Na carta, publicada no dia 10 de julho de 1867, Victor Hugo enaltecia o povo português. "Está pois a pena de morte abolida n"esse nobre Portugal, pequeno povo que tem uma grande história!Penhora-me a recordação da honra que me cabe n"essa victoria ilustre", dizia, reforçando: "Felicito a vossa nação".

A responsável da pasta da justiça não tem dúvidas que os meios de comunicação "continuam a ser fundamentais na passagem desta e de outras mensagens". "Temas desta natureza são hoje mais atuais do que nunca", afirmou, referindo-se ao facto de a questão da pena de morte ser discutida em países vítimas de atentados terroristas.

"Victor Hugo quis prestar uma homenagem a Portugal. Quando escreve para um jornal ele quer falar com um povo, quer dizer-lhes do seu reconhecimento pela coragem que isso implicou e, sobretudo, pela mudança de paradigma que a partir desse momento se conseguiu introduzir". As palavras são de Francisca Van Dunem, ministra da Justiça, sobre a carta que o célebre escritor francês, Victor Hugo, escreveu ao Diário de Notícias e ao seu fundador Eduardo Coelho um dia depois de Portugal ter abolido a pena de morte.

Tornou-se assim o primeiro país da Europa a fazê-lo. E o momento foi devidamente assinalado. "Victor Hugo, que na altura estava em situação de exílio e era um abolicionista ferrenho, ficou profundamente empolgado com a circunstância deste pequeno país ter conseguido aprovar a abolição da pena de morte. Nessa altura escreveu, não só, a amigos dele que estavam nas cortes, que eram deputados como também escreveu esta carta ao Diário de Notícias congratulando-se pela circunstância de Portugal ter abolido a pena de morte. Naquilo que para ele era um processo de grande esperança e uma grande vitória do abolicionismo", disse a ministra, que participou nas celebrações que decorreram ontem no Centro Cultural de Belém (ver texto ao lado).

Na carta, publicada no dia 10 de julho de 1867, Victor Hugo enaltecia o povo português. "Está pois a pena de morte abolida n"esse nobre Portugal, pequeno povo que tem uma grande história! Penhora-me a recordação da honra que me cabe n"essa victoria ilustre", dizia, reforçando: "Felicito a vossa nação".

A responsável da pasta da Justiça não tem dúvidas que os meios de comunicação "continuam a ser fundamentais na passagem desta e de outras mensagens". "Temas desta natureza são hoje mais atuais do que nunca", afirmou, referindo-se ao facto de a questão da pena de morte ser discutida em países vítimas de atentados terroristas.

Também Guilherme d"Oliveira Martins, atual administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, refere que "é um motivo de grande orgulho para Portugal e para o Diário de Notícias, uma vez que Victor Hugo não envia uma carta ao governo", mas sim ao jornal. "O que Victor Hugo faz é saudar uma medida que só era possível em virtude do envolvimento dos cidadãos", destacou.

Presente na celebração também como presidente da Comissão das Comemorações do Segundo Centenário do Constitucionalismo, Guilherme d"Oliveira Martins lembrou um outro momento da história nacional. "Um dado extraordinariamente grave da nossa história que foi a condenação à morte de Gomes Freire de Andrade, em 1817. Foi uma condenação à morte ilegal e ilegítima", disse para no fim destacar duas notas: "O primeiro, o facto de Victor Hugo ter saudado os jornalistas, o Diário de Notícias e a opinião pública relativamente a algo que só é possível com um grande envolvimento que não é apenas do governo e, em segundo lugar, a necessidade de celebrarmos o constitucionalismo, o primado da lei, a lei para todos."

Para o presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, a carta ao Diário de Notícias foi uma das várias formas que o escritor francês usou para assinalar um momento tão importante para a história nacional e do mundo. "O mais importante é ter-se manifestado porque era e é uma personalidade de referência no humanismo e na cultura universal. Victor Hugo tentava que as suas ideias corressem o mundo e conseguiu."

António Mega Ferreira, diretor executivo da Orquestra Metropolitana de Lisboa, lembrou que "o testemunho de Victor Hugo é fundamental e que revela, de facto, a importância que na Europa do tempo teve a decisão da abolição das cortes portuguesas". "Foi um acontecimento transcendente no plano cívico, no plano político e ideológico. É a fronteira entre a civilização e a barbárie."

O responsável não hesita em dizer que os meios de comunicação continuam a ser fundamentais. "Não tenho é a certeza que hoje em dia qualquer canal de televisão tivesse espaço suficiente para acolher um depoimento de Victor Hugo", afirmou

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