PSP acusada de deixar "estragar" carros apreendidos em operação policial

Os carros estavam no parque de Vale do Forno, em Odivelas desde 2008, apreendidas no âmbito da Operação Chicote

O Estado foi acionado judicialmente por uma empresa cujos carros foram apreendidos, em 2008, na operação Chicote da PSP. O dono foi absolvido, mas os seus carros sofreram danos. Segundo o Jornal de Notícias, o queixoso, a firma Autobenaventense, exige ao Estado uma indemnização de quase 200 mil euros, acusando-o de não ter protegido devidamente os 11 veículos, à guarda da PSP. Entre as testemunhas indicadas está a ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, que tutela aquela força de segurança.

Os carros estavam no parque de Vale do Forno, em Odivelas desde 2008, apreendidas no âmbito da Operação Chicote, que desmantelou uma rede criminosa que se dedicava ao furto e viciação de automóveis.

Segundo a Autobenaventense, além dos danos causados pela falta de manutenção, por ação do clima e tempo de imobilização, os carros sofreram outros estragos alegadamente associados a ação humana não identificada, entre início do processo, em 2008, e o fim em 2015. Terão também desaparecido ou sido danificadas dezenas de centralinas, que estavam igualmente apreendidas no âmbito da mesma operação policial.

O dono da empresa, Armindo Aparício estava entre os detidos da PSP mas, em tribunal, foi ilibado de todos os crimes.

Em 2012 a empresa já tinha processado o Estado, também por danos nos veículos, conseguindo uma indemnização de 177 mil euros. Nesta nova ação judicial pretende encontrar quem terá danificado e praticado furtos nos veículos. A empresa dá vários exemplos na queixa que apresentou, como a falta de faróis numa viatura e danos no interior dos carros. A queixa dá conta de que as autoridades foram alertadas para o estado dos carros, tendo sido aberto um inquérito no DIAP de Lisboa há oito meses, mas sem que tivesse sido, até agora, constituído nenhum arguido ou feita acusação.

Além da queixa judicial, a exposição da Autobenaventense foi enviada para todos os grupos parlamentares, bem como para o primeiro-ministro. Em junho passado o governo nomeou um "grupo de trabalho para estudo da situação dos veículos apreendidos a guarda do Estado".

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