PSD terá candidato próprio a Lisboa já em maio

Moreira da Silva não comenta eventual candidatura. Carmona e Carlos Barbosa são hipóteses como independentes

O PSD vai ter um candidato próprio à Câmara Municipal de Lisboa que será escolhido até maio. No domingo, o ex-líder do PSD, Marques Mendes, lançou o nome de Jorge Moreira da Silva, que se junta a três outros já falados nos bastidores como candidatos à maior autarquia do país: Santana Lopes (que já disse estar fora), Carmona Rodrigues e Carlos Barbosa.

Contactado pelo DN, o primeiro vice-presidente do PSD, Jorge Moreira da Silva, não quis fazer qualquer comentário ao facto do antigo presidente do PSD ter lançado o seu nome para a mesa. A vantagem de Moreira da Silva é que é alguém da confiança de Passos Coelho e a câmara de Lisboa passa muito pela escolha da direção nacional.

Ao DN, o presidente do PSD/Lisboa, Mauro Xavier, não quis fazer qualquer comentário sobre nomes, garantindo apenas que "o PSD terá candidato próprio e não apoiará a dra. Assunção Cristas".

Quanto à escolha de um candidato, Mauro Xavier diz ser só possível "depois do Congresso do PSD", que se realiza entre 1 e 3 de abril em Espinho. Mauro Xavier acredita ainda que o PSD pode recuperar o município, pois "há um presidente que não foi eleito. E vencer [Fernando Medina] não só é possível, como é desejável". Esta é, portanto, "uma oportunidade única" de recuperar a câmara ao PS.

No partido, o calendário está definido: até ao final de abril será criada uma comissão autárquica e definido o perfil do candidato; no mês seguinte, a concelhia de Lisboa fecha o nome com o líder do partido, que deverá depois ser apresentado ainda antes do verão ou logo na rentrée. De qualquer forma, será conhecido mais de um ano antes do escrutínio.

Outro nome que está sempre em cima da mesa para Lisboa é Pedro Santana Lopes. Tal como aconteceu nas presidenciais - em que disse que não era candidato várias vezes- demora até que um "não"de Santana seja visto como definitivo.

Ainda este mês o antigo primeiro-ministro reforçou, em entrevista à Rádio Renascença, que não seria candidato, mas assumiu ter sido desafiado: "Começaram-me a falar disso tinha eu acabado de tomar uma decisão em relação e outra eleição [presidenciais] Com franqueza não cheguei a ponderar".
Ainda assim, nas estruturas sociais-democratas ainda há quem alimente a esperança de que Santana Lopes - reconduzido na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa até 2019 - volte atrás na decisão de não ser candidato. O antigo presidente do PSD assume estar, porém, completamente indisponível.

Outra hipótese é o PSD optar por apoiar um independente. E, nesse caso, o antigo presidente da câmara municipal de Lisboa, Carmona Rodrigues - que o DN tentou sem êxito contactar - é um dos nomes que circula nas estruturas do PSD.

Carmona garantiu ao PSD, em 2005, o melhor resultado de sempre em Lisboa e só saiu da autarquia porque, em 2007, o presidente do PSD, Luís Marques Mendes, forçou a queda do executivo camarário, devido ao caso Bragaparques.

A queda de Carmona provocou na altura a existência de eleições intercalares, onde o atual primeiro-ministro António Costa foi eleito presidente da autarquia. Desde essa altura, o PSD não voltou a recuperar a autarquia.

Nas últimas legislativas, Carmona Rodrigues aceitou ser o mandatário por Lisboa do MPT, mas manteve-se como independente. Não há, por isso, nenhum entrave a que volte a ser candidato do PSD.
Também o presidente do ACP, Carlos Barbosa, poderá avançar como candidato independente apoiado pelo PSD. A decisão será sempre de Passos Coelho, que até ao congresso não dirá uma única palavra sobre o assunto.

Carlos Barbosa sempre foi um dos grandes críticos da governação socialista na cidade de Lisboa. Foi assim com António Costa e está a ser assim com Fernando Medina. Em janeiro, voltou a fazer duras críticas, relativamente ao projeto para a segunda circular: "Só um louco é que pode fazer uma proposta destas, porque não temos alternativas".

Na moção de estratégia global que apresentará ao congresso - escrita com o aconselhamento de Jorge Moreira da Silva - Passos Coelho assume que quer que o PSD volte a ser a principal potência autárquica. Além de ter mais câmaras e recuperar a liderança da Associação Nacional de Municípios, recuperar a autarquia lisboeta é um objetivo assumido pelo partido. Outra autarquia importante que Passos gostaria de recuperar é o Porto.

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