PSD saúda "high profile" de novo presidente do Parlamento Europeu

CDS-PP destaca origem do sul da Europa do eleito para suceder ao socialista alemão Martin Schulz.

O eurodeputado social-democrata Paulo Rangel saudou hoje a eleição do italiano Antonio Tajani como presidente do Parlamento Europeu (PE), destacando o seu "high-profile" (alto perfil) e currículo nas instituições continentais.

Tajani, do grupo político onde se integram PSD, CDS-PP e Movimento Partido da Terra (PPE) e que foi "vice" de Durão Barroso na Comissão Europeia, foi o escolhido apenas à última de quatro voltas ao longo do dia, com 351 votos face aos 282 do seu compatriota socialista Gianni Pittella.

Rangel, vice-presidente do PPE e do grupo parlamentar daquela força política em Estrasburgo e Bruxelas, prognosticou a Tajani um "papel claramente arbitral, próprio de um presidente, capaz de manter a visibilidade da instituição e continuar o seu reforço", à semelhança do antecessor, o socialista alemão Martin Schulz, precisamente devido ao "high-profile" (alto perfil), se comparado com Pitella.

Questionado sobre a possibilidade de Portugal voltar a ter uma presidência de uma das comissões permanentes, o social-democrata defendeu ser preferível a opção tomada de ter mais influência junto do PPE (10 "vices" em cerca de 40 países) e do grupo parlamentar daquela delegação (10 em 27), pois significam "maior proximidade na decisão política e de voto e na informação antecipada sobre matérias europeias".

"A seguir a um alemão, um presidente do sul da Europa, que conhece as dificuldades dos países que atravessam e atravessaram situações difíceis", congratulou-se, por seu turno, o democrata-cristão Nuno Melo, prevendo que Tajani mantenha "respeito pelas diferenças e pelas minorias".

O eurodeputado eleito pelo MPT, José Inácio Faria, considerou Tajani "um homem acima de todas as fações políticas, presidente de todos os eurodeputados", que colocará o PE "em pé de igualdade com todas as outras instituições, sendo que é para ser tido em conta".

Na terceira volta, a última com os seis candidatos finais, Helga Stevens (Conservadores e Reformistas Europeus), primeira mulher surda belga a praticar advocacia, tinha sido a terceira posicionada, com 58 votos.

A italiana Eleonora Forenza, membro da comissão executiva da Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Nórdica Verde (GUE/NGL) - à qual pertencem PCP e BE -, foi a quarta, com 45, seguindo-se o romeno Laureniu Rebega (Europa das Nações e da Liberdade), com 44, e a britânica Jean Lambert (Verdes/Aliança Livre Europeia), com 35.

Além do substituto do socialista Martin Schulz, que vai concorrer ao parlamento alemão nas próximas eleições e pode vir a desafiar a chanceler Angela Merkel, os eurodeputados vão ainda decidir até quinta-feira sobre 14 vice-presidentes do PE, cinco gestores (administração do PE) e os membros das 22 comissões permanentes.

Portugal está representado no PE por 21 deputados, oito do PPE (seis do PSD, um do CDS-PP e um do MPT), oito dos S&D (PS), quatro da GUE/NGL (três do PCP, uma do BE) e um da ALDE (PRD).

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