Santana recusa excluir qualquer uma das três televisões dos debates

Santana Lopes apelou também a que o tema dos debates seja ultrapassado, considerando "profundamente ridículo e caricato que se perca tempo com assuntos como este"

O candidato à liderança do PSD Pedro Santana Lopes recusou quarta-feira excluir qualquer uma das três televisões generalistas dos debates com o seu adversário, Rui Rio, mantendo estar disponível para aceitar os convites da RTP, SIC e TVI.

"Eu não sei escolher entre televisões, não tenho nenhuma razão para, com falta de educação ou de respeito, dizer que excluo uma das televisões. Porquê? Porque fica mais longe, porque tem mais audiências?", questionou, num jantar de Natal na quarta-feira com militantes no núcleo oriental da distrital de Lisboa.

Depois de Rui Rio se ter disponibilizado para fazer dois debates que disse terem sido acordados com o seu adversário, um na RTP e outro na TVI, e considerado "o caso encerrado", Pedro Santana Lopes respondeu: "Não são admissíveis birras".

Dizendo ter convites das três televisões generalistas, Santana Lopes admitiu que só se estes órgãos de comunicação social se entenderem entre eles é que admite aceitar fazer apenas um ou dois debates. "Se cada uma das televisões gostava de fazer um debate eu só tenho de dizer que estou disponível", afirmou.

No entanto, Santana Lopes apelou também a que o tema dos debates seja ultrapassado, considerando "profundamente ridículo e caricato que se perca tempo com assuntos como este".

Na sua intervenção, o candidato deixou recados para dentro do partido, dizendo respeitar os apoiantes convictos do seu adversário e até os que se mantêm neutros na disputa -- embora considere "estranho" --, mas não tem a mesma atitude em relação aos que chamou de "feijões-frade".

"Como presidente do partido não vou esquecer -- não vos vou fazer mal, mas tenho de fazer pedagogia -- dos feijões frade, os que têm duas caras, os que andam cá e lá a dizer uma coisa e o seu contrário", avisou.

Santana Lopes aproveitou para criticar a recente entrevista do mandatário nacional do seu adversário, Morais Sarmento.

"A minha candidatura não tem qualquer ambiguidade em relação a esta frente de esquerda: ninguém ouvirá um mandatário meu dizer que se eu não ganhar votará no PS ou no CDS, ninguém", avisou.

Santana Lopes disse também, "a quem pensa que o partido corre o risco de desaparecer", que defende exatamente o contrário.

"O partido corre o risco de crescer e muito nos próximos anos", vaticinou.

Além de vencer as próximas eleições legislativas, Santana Lopes traçou como "ponto de honra" o PSD voltar a conquistar a Câmara de Lisboa em 2021, município que já liderou, e prometeu que a preparação das eleições locais começará logo após o Congresso do partido, se for o próximo presidente do PSD.

"Estamos cansados de homens de tesoura, nós precisamos é de homens com alma", apelou.

Antes, o presidente da distrital de Lisboa, Pedro Pinto, também tinha abordado a questão dos debates, considerando que "quem respeita a independência da comunicação social não escolhe aqueles que quer para fazer os debates".

Pedro Pinto aproveitou os microfones das televisões presentes na iniciativa -- TVI, SIC e CMTV -- para agarrar no da SIC e gracejar: "Parece que há quem não queira debates na SIC (...)".

Logo a seguir, quando Santana Lopes subiu ao púlpito, todos os microfones caíram e o candidato brincou, entre risos dos apoiantes: "Pronto, não há debate nenhum, em 'têvê' nenhuma".

No jantar de Natal do núcleo oriental da distrital de Lisboa também discursou a vice-presidente do partido Teresa Morais, que disse esperar que o próximo presidente do PSD "não alinhe numa lógica de bloco central e de muleta" e saudou a governação do ainda presidente, Pedro Passos Coelho.

O PSD escolherá o seu próximo presidente em 13 de janeiro, em eleições diretas, e com Congresso em Lisboa entre 16 e 18 de fevereiro.

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