Santana Lopes lembra que sempre defendeu debates "junto dos militantes"

"Neste mês de candidatura fiz mais de 20.000 quilómetros e tem sido sobretudo a ouvir. Aliás, nem concebo qualquer tipo de liderança que se possa exercer sem estar próximo das pessoas e daquilo que elas pensam", afirmou

O candidato à liderança do PSD Pedro Santana Lopes sublinhou esta quarta-feira que foi ele quem sempre defendeu que os debates ocorressem junto dos militantes, acrescentando que já fez mais de 20.000 quilómetros no primeiro mês de campanha.

No final de uma reunião com a Confederação do Turismo de Portugal (CTP), Santana Lopes foi questionado se concordava com o seu adversário, Rui Rio, que afirmou na terça-feira que o contacto com os militantes era, na sua opinião, mais importante para a vitória do que os debates.

"Eu quando ouço determinadas frases penso que estou a ouvir mal. Quem sugeriu debates ao pé dos militantes sabe quem foi e sei o que tenho ouvido estas semanas... Agora estamos a negociar debates com as televisões, diz-se que é muito importante debater junto dos militantes", afirmou, escusando-se a fazer mais comentários sobre questões internas.

Depois de, no início da campanha, Santana ter proposto realização de debates organizados por cada distrital e estrutura regional - o que daria mais de 20 debates - e Rio ter rejeitado a proposta, as duas candidaturas estão agora a negociar os termos e o modelo em que poderão decorrer os debates entre os dois candidatos à liderança do PSD.

Santana Lopes escusou-se também a comentar a inclusão na Comissão de Honra de Rui Rio, que é hoje apresentada, de antigos ministros que integraram o Governo que chefiou, incluindo Henrique Chaves, que foi seu ministro-adjunto e cuja demissão contribuiu de forma determinante para a queda do executivo.

"Não comento, cada um escolhe as comissões que entende", disse, fazendo um sorriso irónico perante a insistência dos jornalistas no nome de Henrique Chaves.

Sobre a reunião com a CTP, Santana detetou preocupações comuns, como a necessidade de manter inalterada a legislação laboral, que tem considerado "equilibrada" e capaz de atrair investimento.

O antigo primeiro-ministro realçou ainda a importância da construção em tempo útil do novo aeroporto do Montijo, salientando que hoje o aeroporto de Lisboa já "rejeita passageiros e aviões".

"Como dizia o presidente da CTP, é uma ironia quase perversa: fizemos tudo para ter esta procura e neste momento não temos aeroportos na região de Lisboa para receber os que querem cá vir", lamentou, alertando também para a necessidade de mão de obra qualificada na área do turismo.

Questionado sobre a importância destas conversas com parceiros sociais na sua campanha, Santana Lopes frisou que o seu lema tem sido "ouvir por todo o país".

"Neste mês de candidatura fiz mais de 20.000 quilómetros e tem sido sobretudo a ouvir. Aliás, nem concebo qualquer tipo de liderança que se possa exercer sem estar próximo das pessoas e daquilo que elas pensam", afirmou.

O PSD escolherá o seu próximo presidente em 13 de janeiro em eleições diretas, com Congresso em Lisboa entre 16 e 18 de fevereiro.

Até agora, anunciaram-se como candidatos à liderança do PSD o antigo presidente da Câmara do Porto Rui Rio e o antigo primeiro-ministro Pedro Santana Lopes.

Ler mais

Premium

Anselmo Borges

"Likai-vos" uns aos outros

Quem nunca assistiu, num restaurante, por exemplo, a esta cena de estátuas: o pai a dedar num smartphone, a mãe a dedar noutro smartphone e cada um dos filhos pequenos a fazer o mesmo, eventualmente até a mandar mensagens uns aos outros? É nisto que estamos... Por isso, fiquei muito contente quando, há dias, num jantar em casa de um casal amigo, reparei que, à mesa, está proibido o dedar, porque aí não há telemóvel; às refeições, os miúdos adolescentes falam e contam histórias e estórias, e desabafam, e os pais riem-se com eles, e vão dizendo o que pode ser sumamente útil para a vida de todos... Se há visitas de outros miúdos, são avisados... de que ali os telemóveis ficam à distância...