PSD quer saber se Governo reativa antiga base aérea de Tancos

Segundo estudo da Força Aérea sobre alterações internas impostas pela abertura do Montijo à aviação civil exclui Tancos do seu dispositivo

O PSD quer saber quais são os planos do Ministério da Defesa para a antiga base aérea de Tancos, em função das alterações que a abertura do Montijo à aviação civil vai exigir ao dispositivo da Força Aérea.

Num requerimento enviado esta semana ao ministro Azeredo Lopes, assinado por deputados como Duarte Marques, Pedro Roque, Bruno Vitorino e Carlos Costa Neves, o PSD perguntam expressamente "que destino está previsto" para o atual aeródromo a cargo do Exército e integrado no Polígono Militar de Tancos.

Os sociais-democratas questionam ainda se o Governo vai adquirir meios próprios de combate aos fogos, como helicópteros e aeronaves de asa fixa, e se os vai fixar no polígono de Tancos - onde estão o Regimento de Paraquedistas e o comando da Brigada de Reação Rápida (BRR).

Mais genericamente, o PSD pretende conhecer "qual o plano de reposicionamento" futuro das esquadras da Força Aérea que operam a partir do Montijo, como os helicópteros EH-101 e as aeronaves de transporte C-130 e C-295, com a transformação dessa base aérea no aeroporto complementar de Lisboa.

O Governo, que tem 30 dias para responder, ainda não decidiu formalmente que a base do Montijo vai acolher o aeroporto complementar de Lisboa, pelo que também não se pronunciou sobre qualquer dos dois estudos da Força Aérea sobre os respetivos impactos no seu dispositivo de forças. "O Ministério da Defesa Naciona (MDN)l, através da Força Aérea e a Marinha, tem efetuado os necessários estudos e considerado as possíveis opções para, quando houver uma decisão relativamente à conversão da Base Aérea nº 6 em aeroporto complementar de Lisboa, estar preparado para a executar, acautelando o cumprimento da missão das Forças Armadas. É nesse quadro que foi estudada a reorganização do dispositivo da Força Aérea e da Marinha a qual inclui, naturalmente, a decisão que venha a ser tomada relativamente ao dispositivo de combate aos incêndios florestais", assinalou ao DN fonte do MDN.

Recorde-se que o primeiro estudo apresentado pela Força Aérea, em 2017, propunha reativar Tancos como base aérea para receber as esquadras de transporte, incluindo a da futura aeronave KC-390 (para substituir os C-130).

Contudo, já este ano e na sequência da decisão governamental de adquirir e transferir para a Força Aérea os meios aéreos de combate aos fogos, o novo estudo da Força Aérea não contempla Tancos.

Por um lado, coloca em Ovar os meios de asa fixa para combate aos fogos, dada a centralidade dessa infraestrutura face às áreas florestais do norte e centro do país (onde há maior risco de incêndios). Mas os helicópteros afetos aos incêndios ficam na base de Sintra e os futuros KC-390 no Montijo.

Por outro, transfere a esquadra de transporte dos C-295 para a base de Beja - embora usado nas operações de vigilância e deteção de fogos, também cumpre missões de busca e salvamento, vigilância marítima e instrução.

Quanto à proposta de manter a futura esquadra dos KC-390 no Montijo, usando a mesma pista dos aviões comerciais, a Força Aérea argumenta que é compatível com o tráfego civil. Para isso contribui o simulador de voo dessa aeronave, que permitir reduzir significativamente a realização de voos de treino e o consequente número de movimentos locais da frota.

Note-se que, segundo fontes do setor ouvidas pelo DN, o custo de construção de hangares para os KC-390 rondará os 12 milhões de euros por cada um. Assim, uma decisão naquele sentido deverá pressupor que o aumento do número de movimentos por hora da aviação civil no Montijo não implicará a transferência futura dessa esquadra.

Notícia atualizada às 17:50 com a resposta do MDN

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Catarina Carvalho

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