PSD quer saber se Governo equacionou instalação do Infarmed no Interior

Onze deputados do PSD querem saber que estudos foram realizados que levaram a concluir pela escolha da cidade do Porto e quem os fez

Onze deputados do PSD questionaram o Governo sobre o processo de transferência do Infarmed e querem saber se foram equacionadas alternativas, nomeadamente cidades do Interior Centro do país, como Castelo Branco ou Covilhã.

No documento a que a agência Lusa teve hoje acesso, os onze deputados do PSD querem saber que estudos foram realizados que levam a concluir pela escolha da cidade do Porto e quem os fez.

"Receamos que a decisão de alteração de localização do Infarmed não tenha sido estudada nem discutida, surgindo apenas como uma compensação pelo facto de a candidatura do atual Governo para instalar a Agência Europeia do Medicamento no Porto ter sido chumbada", lê-se no documento.

Na pergunta endereçada ao ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, recordam que é hoje aceite de forma pacífica que o Centro Interior do país se encontra num círculo vicioso de empobrecimento.

"Foram estudadas outras alternativas de localização para o Infarmed? A eventual transferência do Infarmed para as cidades de Castelo Branco, de Coimbra, de Viana do Castelo, de Faro, Portalegre, Beja ou Évora, de Mirandela, da Covilhã, de Bragança ou dos Açores, foi ou não equacionada", questionam.

Os deputados recordam ainda as "fortes assimetrias populacionais" do país, com "fortíssimos afluxos migratórios" às duas grandes áreas metropolitanas do país, que têm Lisboa e o Porto como seus principais polos de atração.

Acrescentam que vastas regiões do país, de Bragança à serra algarvia, incluindo os distritos de Castelo Branco, de Vila Real, de Portalegre, Beja ou Évora, há muitas décadas que se vêm confrontando com um processo de acentuado despovoamento, com a perda de mais de metade da sua população residente desde os anos 1960.

"O desenvolvimento do território de forma mais harmoniosa exige correções nas politicas publicas que levem a uma descentralização na localização de serviços importantes, como será, eventualmente, o caso do Infarmed", concluem.

Ler mais

Premium

Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.